Estado de Ramos-Horta é 'grave, porém estável'

Médicos estão otimistas; presidente timorense deve passar por mais cirurgias.

Da BBC Brasil, BBC

12 de fevereiro de 2008 | 03h05

Médicos na Austrália estão otimistas em relação ao estado de saúde do presidente do Timor Leste, José Ramos-Horta, depois que ele foi baleado em sua casa nos arredores da capital Dili.Ramos-Horta foi atingido por três tiros quando estava em sua casa, na manhã de segunda-feira, em um ataque liderado pelo líder rebelde Alfredo Reinado.Os médicos do hospital da cidade de Darwin, para onde Ramos-Horta foi transferido depois do ataque, afirmaram que o estado do presidente do Timor Leste é "grave, porém estável" e ele deverá ser submetido a pelo menos mais duas cirurgias."Os médicos acreditam que a boa forma física de José Ramos-Horta e sua força mental foram fatores decisivos", disse o médico australiano Len Notaras, diretor do hospital, à BBC.Mas, para Notaras apesar do otimismo, "seria tolice ficarmos confiantes demais neste estágio"."Ainda é muito cedo. Desde a tentativa de assassinato se passaram pouco mais de 24 horas", afirmou.Danos no pulmãoRamos-Horta continua sob efeito de sedativos na Unidade de Terapia Intensiva no hospital de Darwin.O presidente passou por uma cirurgia de duas horas para cuidar de danos no pulmão causados pelos tiros. Foram retirados estilhaços e pedaços de balas de seu tórax."Depois de perder esta quantidade enorme de sangue, a equipe médica acredita que ele tem muita sorte de estar vivo", disse Len Notaras à BBC.O ataque contra Ramos-Horta ocorreu por volta das 07h00 locais (20h00 de domingo em Brasília) e foi liderado por Alfredo Reinado, um conhecido líder rebelde no país.O presidente estava do lado de fora de sua casa, quando ouviu tiros e tentou retornar para dentro da residência. Foi durante este trajeto que ele teria sido alvejado por três tiros, um no abdômen e dois no peito. Reinado e outro integrante do seu grupo, ainda não identificado, foram mortos na troca de tiros. Reinado foi um dos protagonistas da onda de violência que varreu o país em 2006, após sua expulsão do Exército junto com outros 598 militares.Na ocasião, pelo menos 37 pessoas foram mortas em várias semanas de combates e mais de 150 mil timorenses foram obrigados a deixar suas casas.Estado de emergênciaO primeiro-ministro do Timor Leste, Xanana Gusmão, decretou toque de recolher e estado de emergência de 48 horas em todo o país depois do ataque contra o presidente. Gusmão também foi alvo de uma emboscada na segunda-feira de manhã quando saía de sua residência em direção ao Palácio do Governo. Ele escapou sem ferimentos. Seu veículo, junto com o de sua segurança pessoal, foi atingido por tiros, mas todos os ocupantes saíram ilesos.Gusmão anunciou nesta segunda-feira que Vicente Guterres, vice-presidente do Parlamento, assumiu a Presidência da República interinamente.Em um discurso transmitido pela televisão, Guterres afirmou que as manifestações públicas estão proibidas e que a polícia teria poderes para fazer buscas nas casas dos timorenses.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Tudo o que sabemos sobre:
timor lestejosé ramos hortadíli

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.