Estado e Prefeitura analisarão dados de crimes na Virada

Os furtos, arrastões e assassinatos registrados durante a Virada Cultural, no último fim de semana, fizeram o Estado e a Prefeitura de São Paulo se comprometer a analisar os dados criminais nos próximos dias para checar o que pode ser feito para diminuir o número de ocorrências no ano que vem.

BRUNO PAES MANSO, CAIO DO VALLE E JOÃO FERNANDO, Agência Estado

21 de maio de 2013 | 08h31

"Vale a pena nos debruçarmos sobre isso, verificar os locais em que são feitos (os shows) e a iluminação desses locais", disse o governador Geraldo Alckmin (PSDB). A avaliação de algumas autoridades é que a concentração de palcos em pontos muito próximos pode ter favorecido a criminalidade. A distribuição das atrações por uma área maior pode ser estudada para a próxima edição.

O prefeito Fernando Haddad (PT) também afirmou que pretende analisar o balanço da Virada, mas negou que a concentração de palcos no centro tem relação direta com os crimes. "Os lugares são os mesmos (do ano passado). A diferença é que tivemos mais atividades no centro. E o que tem de errado em trazer mais pessoas para o centro?"

Vítimas. Duas pessoas que foram hospitalizadas durante a Virada continuavam internadas em estado grave ontem à noite. Uma delas é um jovem de 17 anos, baleado no tórax em uma tentativa de assalto. A outra é um homem de 40 anos que sofreu uma overdose. Ao longo da noite, 262 pessoas foram removidas de ambulância, segundo balanço da Prefeitura.

Dois frequentadores foram mortos. O padeiro Elias Martins Moraes Neto, de 19 anos, foi roubado e levou um tiro na cabeça na Avenida Rio Branco, por volta das 5h. O corpo foi sepultado ontem no Cemitério Jardim da Paz, em Embu da Artes, na Grande São Paulo. Um homem de 21 anos teve parada cardiorrespiratória com suspeita de overdose. A Prefeitura informou ainda que quatro pessoas foram baleadas e seis foram esfaqueadas. A polícia apreendeu uma arma de verdade e ainda encontrou uma de brinquedo.

Estratégia

Ex-prefeita de São Paulo e ministra da Cultura, Marta Suplicy (PT) defende a diluição das atrações. "Uma Virada que dilua mais a presença das pessoas pela enormidade de São Paulo diminui a aglomeração humana que propicia ações de delinquência e violência. Menos gente propicia um policiamento mais eficaz."

Alguns frequentadores do evento relataram que viram policiais militares sendo omissos diante de roubos e brigas. Haddad descartou a possibilidade de que a atitude possa ter sido uma represália às mudanças propostas por ele na Operação Delegada (o bico oficial dos policiais). "O comandante me garantiu que vai apurar as informações de conduta indevida de policiais", explicou. (Colaboraram Luciano Bottini Filho e Tiago Dantas). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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