Estatal fez caixa 2, indica dossiê

Documentos apontam esquema de R$ 57 mi com verbas da Codeplan

Rodrigo Rangel e Leandro Colon, O Estadao de S.Paulo

30 de novembro de 2009 | 00h00

Um dossiê entregue à Polícia Federal e ao Ministério Público pelo ex-secretário de Relações Institucionais do governo do Distrito Federal, Durval Barbosa, indicam a existência de um grande esquema de caixa 2 montado na campanha do governador José Roberto Arruda (DEM), em 2006, com recursos da Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), empresa ligada ao governo. A conta chega a R$ 57 milhões.

Barbosa anexou aos documentos planilhas de despesas que teriam sido custeadas pela Codeplan durante a disputa eleitoral. Os papeis detalham a distribuição do dinheiro. Uma tabela mostra gastos entre 2004 e setembro de 2006, véspera da votação. A Codeplan teria pago, por exemplo, R$ 7 milhões para locação de um estúdio da campanha no Lago Sul, bairro nobre de Brasília. Mais R$ 2,9 milhões aparecem para a despesa com programas de rádio e televisão, R$ 635 mil para pesquisas, entre outros gastos.

Outro documento atinge a cadeia de comando do governo do Distrito Federal, indicando a distribuição de propina oriunda de empresas contratadas. Uma tabela cita a empresa Infoeducacional, uma das investigadas pela PF, com o valor de R$ 298 mil e a divisão: 40% para Arruda, 30% a seu vice, Paulo Octávio, 10% ao assessor Omézio Pontes, 10% a seu então chefe da Casa Civil, José Geraldo Maciel, e o restante à espera de um "comando".

Todos os citados dizem que colaboraram com as investigações da PF e não falariam sobre o assunto. Em depoimento ao Ministério Público Federal no dia 16 de setembro, Durval Barbosa relatou ter sido procurado por Arruda em 2002, quando dirigia a Codeplan, para negociar um esquema de caixa 2 para a campanha que seria realizada quatro anos depois.

Segundo ele, o então governador Joaquim Roriz (PMDB) deu carta branca para a Codeplan ajudar Arruda a partir daquele ano. Barbosa "entendeu que estaria autorizado a aderir ao pleito de Arruda".

"Alguns nichos" do governo teriam sido escolhidos para arrecadar recursos destinados à campanha. À época deputado federal, ele teria começado a procurar prestadores de serviços à Codeplan para negociar o repasse de dinheiro para a disputa eleitoral de 2006. A empresa do governo do DF teria custeado o "quarto do candidato", segundo a tabela, por R$ 15 mil. Outros R$ 90 mil foram parar no site da campanha.

No depoimento, Barbosa falou ainda sobre o pedido de Arruda para a Codeplan contratar os serviços da Notabilis Comunicação e Marketing, que tem como sócio o filho do governador, Marcos Santana Arruda. Cerca de R$ 40 mil eram repassados mensalmente à empresa. Notas fiscais que somam R$ 500 mil entre 2004 e 2006 ligam a Codeplan à Notabilis.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.