Sang Tan/AP
Sang Tan/AP

Estátua de Carla Bruni caracterizada como operária causa polêmica na França

Encomendada por aliado de Sarkozy, obra homenageia italianas de uma fábrica de plumas

Daniela Fernandes, BBC

13 de fevereiro de 2012 | 13h21

PARIS - O projeto de uma estátua que representa a primeira-dama da França, Carla Bruni Sarkozy, está causando grande polêmica por mostrá-la vestida como operária, em uma homenagem à comunidade italiana de uma cidade na periferia de Paris.

A obra foi encomendada pelo prefeito de Nogent-sur-Marne, do partido do presidente Nicolas Sarkozy (UMP), para homenagear as artesãs, majoritariamente italianas, que trabalhavam em uma antiga fábrica de plumas da cidade. "É uma sorte termos uma primeira-dama de origem italiana. A imagem é simbolicamente forte", diz o prefeito de Nogent-sur-Marne, Jacques Martin.

A escultura de bronze de mais de 2 metros de altura com o rosto de Carla Bruni deve ser inaugurada em maio, quando ocorre o segundo turno das eleições presidenciais. As maquetes e fotos da obra estão sendo mantidas em segredo.

A estátua, que será instalada no centro histórico da cidade, está sendo criticada pela oposição e até mesmo por políticos ligados à direita. "É um insulto que as funcionárias da fábrica de plumas tenham o rosto de uma pessoa riquíssima. Carla Bruni não representa o mundo operário", diz o vereador socialista de Nogent-sur-Marne, William Geib.

"Carla Bruni deve ter visto mais plumas nas passarelas dos desfiles ou em avestruzes do que nas fábricas", diz Geib, acrescentando que a escultura da primeira-dama representada como operária é algo "grotesco".

Já o vereador Michel Gilles, sem partido, mas ligado à direita, afirma que a obra é um "golpe político às vésperas das eleições presidenciais".

Admiração da primeira-dama

Uma fonte ligada à primeira-dama disse ao jornal Le Parisien que Bruni aceitou posar para a artista, Elisabeth Cibot, mas ressaltou que jamais houve a possibilidade de que seu nome aparecesse na obra.

Bruni aprecia o trabalho da escultora, segundo a fonte. Ela acrescenta que posar era a profissão da ex-modelo, mas que hoje a primeira-dama não faz mais isso de maneira comercial.

"Bruni é sempre solicitada para posar e faz isso de forma beneficente", diz a fonte, acrescentando que a polêmica "é uma instrumentalização política de algo que não tem nenhuma relação com a política".

"Não é uma estátua de Carla Bruni. É uma escultura de uma italiana do início do século 20, em homenagem a essa comunidade. O único elemento é que o rosto da obra é efetivamente inspirado no rosto da primeira-dama, que é italiana. Isso dá à obra um aspecto contemporâneo", afirma a artista.

Vereadores de Nogent-sur-Marne, que possui 30 mil habitantes, afirmam que o prefeito não mencionou, na reunião orçamentária que aprovou a realização da escultura, que a obra teria os traços físicos de Carla Bruni.

Segundo políticos locais, a escultura custaria 80 mil euros, sendo que metade seria financiada pela prefeitura e a outra metade por um empreendedor imobiliário.

 

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