Estoque da dívida interna cai 1,1% em outubro

Valor é de R$ 1,37 trilhão no mês em que o governo instituiu a cobrança de 2% do IOF

Fabio Graner e Renata Veríssimo, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

24 de novembro de 2009 | 00h00

A participação de investidores estrangeiros na dívida pública interna em títulos subiu em outubro - mês em que o governo instituiu a cobrança de 2% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre a entrada de capital externo para renda fixa e variável - e atingiu novo recorde: 7,68%. O estoque da dívida interna ficou em R$ 1,37 trilhão, com queda de 1,1% ante saldo do mês anterior.

Em setembro, a participação de não residentes no estoque de papéis do governo existente no mercado foi de 7,16%. Em valores nominais, a participação dos estrangeiros passou de R$ 95,9 bilhões em setembro para R$ 101,7 bilhões em outubro.

O IOF sobre capital estrangeiro foi instituído em 19 de outubro pelo governo, com o objetivo de diminuir a entrada de recursos estrangeiros especulativos, com perfil de curto prazo.

O coordenador-geral de operações da Dívida Pública, Fernando Garrido, disse que ainda é cedo para avaliar o impacto da taxação no apetite do investidor externo, já que o tributo foi criado somente no fim do mês passado. Ele afirmou, no entanto, que o impacto não deve ser significativo sobre o investidor estrangeiro de longo prazo, já que o custo do imposto tende a se diluir com o tempo.

"Vamos continuar vendo investidores estrangeiro aplicando no Brasil", afirmou, lembrando que já há alguns meses está crescendo a participação de estrangeiros no total da dívida interna.

A redução no estoque da dívida em títulos em outubro ocorreu porque houve uma concentração muito grande de vencimentos, o que tradicionalmente ocorre nos meses em que se iniciam os trimestres. Em outubro, as vendas de títulos somaram R$ 21,6 bilhões, mas os vencimentos totalizaram R$ 47,6 bilhões. O resgate líquido também superou o pagamento de juros de R$ 10,9 bilhões. A dívida também caiu porque o Tesouro nos últimos meses colocou o pé no freio das emissões de títulos, já que o mercado tem cobrado preços elevados para adquirir papéis do governo.

Apesar desse custo alto, Fernando Garrido disse que o Tesouro tem conseguido emitir títulos prefixados a preços menores. Segundo ele, no leilão realizado na semana passada, as LTNs com vencimento em 2011 foram emitidas com juros de 11,20% ao ano, ante 11,30% no leilão de 22 de outubro. As NTN-F 2017 foram emitidas com juros de 13,19% ao ano, ante 13,22% em outubro. É importante destacar que as taxas pagas pelo Tesouro estão significativamente acima dos 8,75% ao ano da taxa básica de juros (Selic).

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