ESTREIA-'De pernas pro ar' faz rir sem apelar a humor rasteiro

Fechando um ano especialmente fraco, em termos de criatividade e qualidade, para o cinema brasileiro, "De pernas pro ar" chega ao circuito como um objeto estranho. Claramente um filme de apelo popular, e, por isso mesmo, com medida das coisas.

REUTERS

30 de dezembro de 2010 | 12h29

Explica-se: apesar do tema altamente apimentado --tendo em cena dezenas de brinquedos eróticos-- não tem sequer um palavrão ao longo de uma hora e meia de duração. Assim, cumpre à risca a definição do diretor, Roberto Santucci, e da produtora, Mariza Leão: este é um "filme família".

A trama poderia ser o piloto de uma sitcom e a presença de atrizes conhecidas por fazer comédia na televisão só reforçam essa ideia. Mas nada disso é um problema num filme que não esconde o seu propósito, que é apenas divertir. Ingrid Guimarães e Maria Paula estão à frente do elenco, como uma executiva frustrada e uma dona de sex shop moderninha.

Ingrid é Alice, que mergulhou tanto no trabalho que nem percebe que está perdendo o marido, João (Bruno Garcia), e pouco cuida do filho pequeno. Quando é mandada embora por conta de um acidente, resolve que está na hora de fazer as pazes consigo mesma e com o mundo. O primeiro passo é desculpar-se com a vizinha espevitada, Marcela (Maria Paula), dona de uma sex shop quase falida que herdou de sua mãe.

Esses dois mundos distintos se cruzam e um muda o outro. Marcela vai mostrar para Alice o que é sentir prazer sexual e descobrir uma vida mais animada e colorida, e, assim reconquistar o seu amor. Já a executiva ajudará a amiga a incrementar sua loja, vendendo produtos pela Internet e tornando lucrativa a tarefa de ensinar as pessoas a sentirem prazer.

Em cena, estão os conflitos da mulher contemporânea: dividir-se entre o trabalho, a casa e ainda achar tempo para ser feliz. Claro que, no roteiro assinado por Marcelo Saback e Paulo Cursino, para lá de previsível, todos os temas são tratados, digamos, de forma leve, quando não francamente superficial.

Mas a presença de Ingrid e Maria Paula garantem momentos divertidos, embora algumas cenas supostamente dramáticas não funcionem muito bem - mas isso não é culpa das atrizes. É mais um deslize da direção, que não consegue encontrar o tom certo quando precisa baixar a comicidade.

Se por um lado, os personagens masculinos parecem rascunhos de seres humanos, os femininos são mais bem trabalhados e interessantes. Além da dupla central, também destaca-se a grande Denise Weinberg ("Salve Geral"). Como a mãe liberal e liberada de Alice, ela é responsável por alguns dos momentos mais engraçados do filme.

Ao contrário de filmes como "Os Normais", por exemplo, "De pernas pro ar" se mantém púdico e nunca vai às vias de fato. Ameaça cair num humor rasteiro, mas sempre para antes de cruzar a linha da baixaria. Afinal, pretende levar ao cinema mães, pais, avós e filhos.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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