ESTREIA-Nem presença de Robert De Niro sustenta 'Profissão de Risco'

Dirigido pelo estreante David Grovic, "Profissão de Risco", um sub-noir contemporâneo, atira para todos os lados e erra cada um de seus alvos.

Reuters

23 Abril 2014 | 16h38

Da atmosfera e personagens bizarros à la David Lynch ao motel de beira de estrada dirigido por um filho obcecado pela mãe (olá, "Psicose"!), passando pelos excessos ao estilo de Quentin Tarantino e também de "Seven - Os 7 crimes capitais", o longa não supera uma trama batida e personagens e interpretações ruins (até de veteranos como Robert De Niro e John Cusack).

Tudo gira em torno de um ricaço, Dragna (De Niro), que manda um criminoso resgatar uma mala, sem dizer o que há dentro dela. O sujeito é Jack (Cusack) que, para esperar instruções, deve se hospedar num quarto de motel de beira de estrada, dirigido por Ned (Crispin Glover). No lugar acontecem coisas estranhas.

Primeiro, Jack se envolve com outros criminosos, depois salva uma prostituta, Rivka (a brasileira Rebecca da Costa), a femme fatale básica, por quem se afeiçoa.

Não há uma trama muito construída, apenas os esforços de Jack para defender sua pele e a da garota, enquanto dezenas de homens - dos dois lados da lei - tentam acabar com eles e pegar a misteriosa mala.

"Profissão de Risco" é visualmente escuro - talvez seja um sintoma do diretor tentando traduzir forçadamente em imagens aquilo que os verdadeiros noirs conseguiam criar em termos de atmosfera e trama.

Além de tudo, revela-se um certo prazer, no filme, na violência contra a mulher - especialmente em dois momentos: um deles envolvendo os punhos de De Niro, e outro, um cassetete numa delegacia.

Em suas explicações, Dragna diz que tudo não passa de um jogo - até sugere a Jack ler o livro "Magister Ludi", de Hermann Hesse, o que o outro não faz.

No fim, esse é um jogo sem graça, sem brilho ou criatividade, cuja questão central é o que Jack vai encontrar dentro da mala se tiver coragem de olhar. Uma dúvida que não segura um filme inteiro - especialmente um cheio de pompa, que se leva tão a sério.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

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