Estrelas-do-mar dão prejuízo em porto chinês

O porto olímpico da cidade de Qingdao, no leste da China, onde serão disputadas as provas de iatismo durante os Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, foi tomado por milhares de estrelas-do-mar famintas, que estão causando aos criadores de moluscos um prejuízo avaliado em milhões de dólares.Imagens da TV pública CCTV mostram milhares de estrelas-do-marvagando por criadouros de peixes e arredores, na busca de alimento. Eparte da culpa é dos Jogos Olímpicos."Nos últimos anos, fechamos centenas de hectares de tanquesartificiais ao longo de 1.500 metros da costa de Qingdao, para criarum entorno mais favorável às competições. As condições de vidamelhoradas aumentaram o número de criaturas marinhas, comoáguas-vivas e estrelas-do-mar", disse Guo Xintang, subdiretor dePesca e Marinha de Qingdao.As estrelas já começam a deixar de ser vistas como um simpático ecurioso animal, passando a predadores temíveis. Pelo menos para oscriadores de abalones, um dos moluscos mais caros e em maior perigode extinção do mundo, além de um dos pratos preferidos das estrelas.Para demonstrar a voracidade da estrela-do-mar, um piscicultordeixou um abalone sobre uma rocha. Imediatamente, dúzias de estrelasse lançaram sobre ele e, pouco depois, não restava nada além daconcha."Lutamos dia e noite contra as estrelas-do-mar. Elas não saem daminha cabeça", disse ao China Daily o criador, que, segundo seuscálculos, já perdeu US$ 125 mil com a invasão.Cientistas como Zhang Guofan, do Instituto Oceanográfico, vêemcom outros olhos o "estranho fenômeno que, felizmente, ajudará ospesquisadores a saber mais sobre o comportamento animal".Enquanto isso, os criadores de abalones continuam procurandonovos métodos para deter a invasão e salvar sua produção. O próprioZhang recomenda a pesca artesanal, com redes.O abalone é um produto que rende US$ 180 milhões anuais na Ásia e,só na costa de Qingdao, milhares de hectares são dedicados à suacriação. Usado na cozinha chinesa e japonesa, é um prato reservadoaos consumidores mais ricos.

Agencia Estado,

27 de julho de 2006 | 16h53

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