Estudantes da UFBA fazem greve de fome em Salvador

Acampados em frente à reitoria da Universidade Federal da Bahia (UFBA), de frente para uma faixa preta onde se lê ""Naomar inimigo do estudante" - referência ao reitor da instituição, Naomar Almeida -, seis estudantes começaram, hoje, uma greve de fome. Eles protestam contra a violência supostamente usada pelos agentes da Polícia Federal na desocupação da reitoria, semana passada, e para cobrar que não haja punição para os envolvidos na posse do prédio. Cerca de 40 estudantes ficaram 46 dias no imóvel.Os alunos Luamorena Leoni, de 22 anos, de Medicina, Maíra Guedes, de 20, de Teatro, Cândido Vinícius, de 21, e Hugo Santos Dantas, de 20, ambos de Ciências Sociais, Marcus Vinícius Moura Oliveira, de 23, de Filosofia, e Rafael Portela, de 23, de História, garantem que vão permanecer no local pelo menos até a reunião do Conselho Universitário (Consuni), que o Diretório Central dos Estudantes (DCE) marcou para amanhã, com o apoio de 20 conselheiros.Segundo Luamorena, até lá, os seis manifestantes vão consumir apenas água e soro caseiro, com a supervisão de estudantes da faculdade de Medicina. "A gente está preparado para agüentar", avisa.Para a reitoria, porém, a reunião não é certa. "Os estudantes não podem decidir data e horário de uma reunião do conselho", diz o vice-reitor Francisco Mesquita. Apesar disso, ele garante que a reitoria está aberta a negociar os pontos defendidos pelos manifestantes. "Mas ainda não chegou nenhuma proposta para avaliação."Segundo a direção do DCE, a atitude dos grevistas é isolada. Na noite de hoje, em assembléia dos estudantes, foi definido que o diretório vai fazer uma moção de repúdio contra a ação da PF, negociar a não punição dos estudantes invasores da reitoria e abrir uma representação contra a reitoria da universidade no Ministério Público Federal, pela acusação de improbidade administrativa. O coordenador-geral do DCE da UFBA, Gabriel Oliveira, afirma que medidas aprovadas pelo Consuni para melhorias na assistência estudantil há três anos ainda não saíram do papel e verbas disponibilizadas para reforma de residências estudantis não foram aplicadas. Almeida se diz tranqüilo sobre a possibilidade de ser acionado. "Improbidade administrativa ocorre quando o gestor deixa de cumprir seus deveres ou se beneficia de recursos - e nada disso aconteceu", afirma.

TIAGO DÉCIMO, Agencia Estado

22 de novembro de 2007 | 21h53

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