Estudantes farão protesto contra prova do Cremesp

Estudantes da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Botucatu, farão um protesto, no próximo domingo(11), contra a prova obrigatória aos recém-formados do curso de Medicina no Estado de São Paulo. O exame foi proposto pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) que ameaça, também, considerar ficha- suja o formando que boicotar a prova.

JOSÉ MARIA TOMAZELA, Agência Estado

09 de novembro de 2012 | 18h33

O Centro Acadêmico Pirajá da Silva está convocando os universitários para a manifestação, a partir das 7h30, defronte ao local da prova, as Faculdades Integradas de Botucatu (Unifac), na Vila Nova Botucatu. Os portões abrem às 8h30 e fecham às 9 horas.

De acordo com a estudante Ariane Garcia, do Centro Acadêmico, quem quiser fazer a prova não será impedido. "Queremos mostrar aos formandos e à população nosso desagrado com a obrigatoriedade. Achamos que a avaliação deve acontecer ao longo dos seis anos do curso. Essa prova, copiada do exame da ordem dos advogados, vai criar uma categoria inexistente, a dos bacharéis em medicina", disse. Segundo ela, não é função do Cremesp definir a obrigatoriedade do exame. "É algo que tem de ser discutido com todos os interessados e não foi." A estudante acredita que o órgão não tem como punir quem venha a boicotar a prova, respondendo com um "b" todas as alternativas. "Não tem essa de ficha-suja, isso não seria constitucional."

Os manifestantes devem portar faixas e cartazes e será liberada a palavra aos presentes. Em carta aberta divulgada em redes sociais o Centro Acadêmico critica a abertura desenfreada de escolas médicas e a inexistência de um processo de avaliação continuado nas faculdades. De acordo com o documento, os estudantes de medicina da Unesp posicionaram-se contra a prova do Cremesp "por não contribuir para a melhoria da prática médica". Alega ainda que o alto índice de reprovação nos exames de avaliação realizados em anos anteriores será uma alavanca para a criação de cursinhos preparatórios, como ocorreu com o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). "Além de uma fábrica de gerar dinheiro, esses cursinhos não contribuem de forma alguma para preencher os buracos na formação do aluno, senão treiná-lo para a realização de uma prova", diz a carta.

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