Estudantes fazem atos pacíficos pró e contra ocupação da USP

Quem é a favor da ocupação `abraçou´ reitoria; os contra, envolveram `relógio´

Agencia Estado

12 de junho de 2007 | 05h35

Estudantes pró e contra a ocupação da reitoria da Universidade de São Paulo (USP), que completa 35 dias nesta quarta-feira, 6, fizeram atos pacíficos no campus Butantã da universidade. Cerca de 100 pessoas, entre professores e estudantes da Escola Politécnica e da Faculdade de Economia e Administração (FEA), que são contra a ocupação, fizeram uma caminhada silenciosa e, simbolicamente, abraçaram a torre do relógio da USP. Do outro lado, mais de 200 pessoas favoráveis à ocupação, entre estudantes, professores e funcionários das três universidades estaduais paulistas (USP, Unicamp e Unesp), além das Fatecs, de Escolas Técnicas Estaduais (ETEs) e até de estudantes vindos do Paraná abraçaram, também simbolicamente, o prédio da reitoria. Foi a reação pacífica ao abraço ao relógio. O ato pró-ocupação foi decidido como resposta à caminhada organizada pelo grupo contrário aos grevistas. A expectativa era de que os dois grupos se encontrassem, o que poderia gerar algum tipo de confronto. Os estudantes, funcionários e professores que apóiam o movimento, porém, concordaram em não responder a provocações. "Se houver xingamento, vamos ficar tranqüilos", sugeriu o professor Oswaldo Coggiola no microfone. Segundo ele, uma possível estratégia do outro lado seria dar motivo para que a Polícia Militar entrasse no campus e cumprisse a ordem de reintegração de posse. "Eles querem criar enfrentamento para legitimar a entrada da polícia." No final, não houve enfrentamento, já que os manifestantes contra a ocupação não foram até à frente da reitoria. Algumas discussões isoladas, entretanto, aconteceram entre os dois lados. Sylvio Sawaya, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP e um dos professores contra a ocupação da reitoria, afirmou que o ato não "tinha expectativa de acabar com a ocupação, esse é um movimento independente de professores". Para ele, a manutenção da ocupação da reitoria já passou do limite. "Não acho que a ocupação seja a forma de luta correta", explicou. Mesmo assim, Sawaya acha que as pautas devem se transformar em sérias discussões internas na USP. O professor da FAU não soube responder o motivo pelo qual os professores que apóiam a desocupação da reitoria não participam das assembléias de docentes. Em todas as reuniões deliberativas dos docentes, desde o início da greve da categoria, foi decidido, pela maioria, o apoio aos estudantes que estão na reitoria, além da continuidade da greve. Depois que o movimento pela desocupação se dispersou, teve início, em frente à reitoria, uma plenária para discutir a situação da educação pública no País. O evento deve durar até a noite desta quarta.

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