Estudantes fazem vigília pró-Tibet em Pequim

Estudantes de origem tibetana realizaramna segunda-feira uma vigília à luz de velas em Pequim, dizendorezar pelos mortos, após o governo advertir que osmanifestantes anti-China na capital do Tibet devem se render. A polícia manteve os jornalistas bem afastados do protestopacífico realizado por dezenas de estudantes, aparentemente deetnia tibetana, dentro da Universidade Central para asNacionalidades. Manifestações públicas de dissidência, como essa, são muitoraras na China, especialmente neste ano de Olimpíada. "Foi só para rezar pela alma dos mortos", disse um aluno deetnia tibetana, oriundo da província de Gansu (noroeste), quefoi mantido afastado da atividade pelos guardas. O governo determinou que os manifestantes que provocaramdistúrbios na sexta-feira em Lhasa, capital do Tibet, serendessem até a noite de segunda, sob risco de sofrerem umarepressão ainda maior. Exilados tibetanos em Dharamsala (Índia) estimaram nodomingo que tenha havido 80 mortos nos protestos de sexta-feiracontra o domínio chinês. Qiangba Puncog, presidente do governo regional tibetano,disse que apenas "13 civis inocentes" morreram, e que dezenasde policiais e soldados ficaram feridos. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, se disse "cada vezmais preocupado" com os relatos de violência no Tibet. "Peçomoderação por parte das autoridades e conclamo todos osenvolvidos a evitarem mais confrontos e violência", afirmou emNova York. Em Lhasa, um comerciante muito afetado pelos distúrbios,perto do mercado central, disse que não soube de nenhummanifestante se entregando ou informando à polícia sobresupostos arruaceiros. "Estamos esperando o tempo passar",afirmou. Conforme o prazo se aproximava, um porta-voz chinês disse ajornalistas que o regime não vai fazer acordos com o DalaiLama, líder exilado dos tibetanos, nem vai rever suas políticaspara o Tibet. Liu Jianchao, porta-voz da chancelaria, disse que osdistúrbios foram organizados por seguidores do Dalai Lama naregião e no exterior. "Não é uma questão étnica, não é umaquestão religiosa ou cultural. Na raiz, é o problemafundamental da camarilha do Dalai buscando separar o Tibet daChina". O Dalai Lama diz defender a autonomia do Tibet dentro daChina, mas não a independência. Ele também nega ser oresponsável pelos protestos. A União Européia pediu a autoridades e manifestantes queevitem a violência e disse que um boicote à Olimpíada de agostonão seria a resposta ideal. A Rússia estimulou a China a fazer o que for preciso paracontar "ações ilegais" no Tibet. Uma breve nota da chancelarianão fez críticas ao comportamentos das autoridades. Há manifestações diárias pró-Tibet em todo o mundo desdesegunda-feira. No domingo, a polícia francesa usou gáslacrimogêneo para dispersar cerca de 500 manifestantes dianteda embaixada chinesa em Paris. Houve incidentes em missõesdiplomáticas em Nova York e na Austrália. "Condenamos fortemente a ação violenta dos ativistas pelaindependência do Tibet [em embaixadas no exterior]", disse oporta-voz Liu. (Reportagem adicional de Benjamin Kang Lim e Lindsay Beckem Pequim, Jonathan Allen em Dharamsala, Guy Faulconbridge emMoscou e Claudia Parsons nas Nações Unidas em Nova York)

IAN RANSOM E CHRIS BUCKLEY, REUTERS

17 de março de 2008 | 19h16

Tudo o que sabemos sobre:
TIBETVIGILIAPEQUIM

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.