Estudo analisa defesa judicial da indústria do cigarro nos EUA

A despeito de admitir, em várias oportunidades, que fumar causa câncer, a indústria do tabaco se nega a reconhecer o fato quando a alegação é feita por fumantes que processam as companhias, de acordo com uma análise de ações recentes abertas na Justiça americana. O trabalho está publicado no periódico Tobacco Control.Os autores da análise estudaram as alegações iniciais e finais da defesa em 34 queixas abertas contra grandes fabricantes de cigarro entre 1986 e 2003.Cada argumento apresentado pelas empresas foi encaixado em uma de várias categorias, entre elas: falta de prova científica de que o fumo causa câncer; negação de que o queixoso tivesse câncer de pulmão; reconhecimento do câncer de pulmão, mas negação de que a variedade específica fosse causada pelo tabaco; presença de outros fatores de risco; exercício do livre arbítrio por parte do fumante.O uso do argumento "sem prova científica" vem caindo, na medida em que as companhias passaram a reconhecer publicamente os riscos do consumo de tabaco, partir do final dos anos 90, mas a defesa com base em outros fatores de risco e no livre arbítrio cresceu no mesmo período.Segundo os autores do estudo, uma comparação entre as admissões públicas de que cigarro causa câncer e os argumentos usados na Justiça podem ser resumidos da seguinte forma: "Sim, fumar causa câncer, mas não em quem processa a gente".

Agencia Estado,

29 de novembro de 2006 | 15h07

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