Estudo desvenda ciclo da água em Marte

Marte tem neve de madrugada: cristais de gelo caem das nuvens sobre o ártico. Eles não chegam a tocar o solo, evaporando-se no caminho e saturando a atmosfera de água. Essa neblina espessa produz uma geada que vira vapor ao amanhecer, devolvendo a água à atmosfera. Por volta da meia-noite, as nuvens formam-se outra vez, nutrindo os cristais que cairão na madrugada seguinte. ?São cristais grandes, caindo e movendo-se com o vento?, descreve o cientista brasileiro Nilton Rennó, da Universidade de Michigan. ?Às vezes, o nevoeiro cobre tudo, da superfície até as nuvens?, explica ele, que é um dos autores do trabalho que registra o ciclo das águas marciano, publicado na "Science".

AE, Agencia Estado

03 Julho 2009 | 08h34

A revista traz uma série de quatro artigos, resumindo as principais descobertas feitas pelos instrumentos da sonda Phoenix, da Nasa, que operou em Marte no ano passado. O texto sobre a água marciana confirma a presença, no ártico, de uma camada de gelo no subsolo, começando a uma profundidade de 5 centímetros. Também menciona a teoria, defendida por Rennó, de que água líquida ainda pode existir no planeta, sob a forma de gotículas, ou em poças. O ponto de congelamento da substância cai por causa da grande concentração de sais dissolvidos.

?Pode existir líquido em qualquer ponto do planeta onde a temperatura mínima fique acima dos 70°C negativos e exista uma fonte de água?, como gelo subterrâneo, diz o cientista, que detalha as evidências a favor da presença atual de água líquida em Marte em dois outros artigos: um que será publicado na revista especializada "Journal of Geophysical Research" e outro que será apresentado, em agosto, em um congresso de astrobiologia - a ciência da busca pela vida em outros planetas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Mais conteúdo sobre:
espaço Marte água

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.