Estudo diz que mudança climática afeta ecossistema no Ártico

As mudanças no clima começaram a ser percebidas no ecossistema do Ártico e poderão ter efeitos irreversíveis em seres humanos e animais da região, alerta um estudo divulgado nesta quinta-feira pela revista Science.A pesquisa, realizada por cientistas americanos e canadenses, indicou que as mudanças físicas, incluindo a elevação da temperatura do ar e da água marinha, assim como a redução da cobertura sazonal do gelo, parecem ser a causa de uma modificação biológica no ecossistema do Mar de Bering.Esse mar, que separa a América da Ásia, é o "habitat" de grandes populações de aves marinhas, baleias cinzentas, focas e lobos marinhos. Estes animais se alimentam de criaturas que habitam o fundo do mar, acostumadas à temperatura fria da água e à cobertura de gelo."Está ocorrendo uma mudança das condições árticas a subárticas no norte do Mar de Bering", afirmaram os cientistas no estudo. Eles acrescentaram que a modificação do "habitat" parece favorecer algumas espécies de peixes e outros animais que até agora habitavam zonas mais meridionais, com águas mais quentes.Como resultado, estas podem se deslocar rumo ao norte e se afastar assim das comunidades pequenas e nativas que habitam as zonas costeiras do Mar de Bering e que dependem desses animais para sobreviver."Estamos presenciando uma mudança nas condições físicas que causa uma modificação nos ecossistemas", observou Jackie Grebmeir, pesquisadora da Universidade do Tennessee e uma das autoras do estudo.James Overland, oceanógrafo de Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), disse que, embora as mudanças não sejam uniformes no Mar de Bering, estão todas vinculadas à natureza do gelo marinho. "Tanto no norte do Mar de Bering como no sudeste o ecossistema está mudando", alertou.O cientista explicou que, no sudeste, as mudanças na população de peixes se relacionam com uma perda total do gelo marinho. No norte, no entanto, as mudanças ecológicas ocorreram devido a modificações na qualidade do gelo. "Ali o gelo se quebrou e é muito mais fino do que costumava ser", explicou.O estudo indicou que as mudanças na extensão e na espessura da camada de gelo foram confirmadas por observações de satélites e outras medições. Essas observações assinalaram as mudanças na população de peixes, incluindo a aparição mais ao norte do salmão rosado, em rios que desembocam no Oceano Ártico."O que estamos vendo é uma mudança nos limites entre ecossistemas árticos e subárticos. Existe uma possibilidade real de esta mudança dar sinais muito mais ao norte", opinou Gregmeier.No entanto, Overland esclareceu que será necessário continuar vigiando a região para determinar o alcance e o potencial das mudanças. "É preciso observar os indicadores tanto físicos como biológicos nos próximos anos para confirmar a persistência destas mudanças no contexto da variabilidade natural", explicou.

Agencia Estado,

09 de março de 2006 | 18h51

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