Estudo e lazer na reta final do Enem

Alunos podem aproveitar a última semana para estudar, mas é bom tirar um dia para o descanso, pois exame é longo e exige atenção

PAULO SALDAÑA, O Estado de S.Paulo

17 Outubro 2011 | 03h03

Nesta semana que antecede o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ainda dá tempo, sim, de uma última revisada no conteúdo. Mas é importante ter um cuidado que pode fazer a diferença: chegar descansado para a maratona de dois dias de prova, 180 questões e redação. Além da pesada carga horária do exame, o Enem costuma reservar aos vestibulandos questões com enunciados longos, mapas e gráficos que pedem muita atenção.

As aulas em escolas e cursinhos ocorrem normalmente ao longo dessa semana e, em alguns casos, haverá revisão específica para o Enem. Mas o importante é se organizar.

"Não dá para estudar tudo em uma semana, mas é possível aproveitar os últimos dias para fazer uma prova anterior, um simulado e também uma redação", recomenda a coordenadora do Cursinho da Poli, Alessandra Venturi. "Mas é imprescindível descansar e reservar pelo menos a sexta-feira para isso. Se quiser fazer algo, leia uma revista, jornal ou livro. Vai ajudar na redação, que pede repertório."

Tirar a sexta para relaxar é uma receita que vestibulandos aplicados já têm planejado seguir. O paulista de Murutinga do Sul Fabrício Fachini, de 18 anos, vai adicionar uma hora extra de estudos nesta semana - mas só até quinta. No segundo ano de cursinho, o estudante do Anglo quer Medicina e pretende cumprir seis horas de estudo, além do tempo das aulas. "Vou fazer exercícios no modelo do Enem das matérias que estudei no dia. Mas na sexta é dia de sair, ir ao cinema, relaxar. Porque, se ficar em casa sem fazer nada, vou querer estudar."

Estudantes e professores ainda se esforçam para prever com detalhes o que esperar do exame, cujo modelo estreou em 2009 - quando passou a ser usado como vestibular por várias instituições importantes. "A gente tem apenas três versões para analisar. A da prova que vazou, a que foi reaplicada em 2009 e a última do ano passado. Mas parece que já há uma evolução na abrangência de temas da prova", diz o coordenador do curso Etapa, Edmilson Motta.

O bloco de Ciências da Natureza (com questões sobre biologia, física e química, que será aplicado neste sábado) é a que mais teve ampliação de disciplinas, ressalta Motta. A prova tende, portanto, a ser mais difícil por conta desse maior número de temas exigidos. Matemática também é considerada uma prova com dificuldade média.

Na avaliação do professor Alberto Nascimento, do Anglo, cada vez mais o português é importante. "A prova toda exige interpretação. De texto, tabelas, gráficos, mapas. Exige muita concentração e competência", diz. E, mais uma vez, estar descansado pode fazer a diferença.

A vestibulanda de Medicina Natália Galvão, de 20 anos, tem estudado de modo específico para o Enem. "Tem de ser mais ágil nas contas e na leitura dos enunciados", explica a estudante do Etapa, que reservou cuidado especial para a redação. "O tema do Enem é sempre algo que repercutiu nos últimos tempos, certas polêmicas. E precisa ter uma proposta de intervenção, bem diferente da ideia da Fuvest", diz ela, comparando o exame à prova de seleção para a Universidade de São Paulo (USP).

Rio. Antes encarado como uma prova que não era bem um vestibular, o Enem se consolidou como uma prova que tem suas dificuldades - mas, principalmente, particularidades. Se em São Paulo, onde ainda não é usado como seleção para as principais universidade estaduais (USP, Unicamp e Unesp), a preocupação já é grande em desvendar a prova, no Rio de Janeiro essa atenção cresceu consideravelmente neste ano.

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) aderiu ao exame como forma de seleção, causando estranheza entre estudantes. "Preferia o vestibular tradicional da federal, media mais a qualidade. Acho a prova do Enem muito estranha", diz Wallace Pappacena, de 18 anos, que quer cursar Direito na UFRJ.

O coordenador do cursinho Miguel Couto, do Rio, Antonio Bottino, avalia que a preocupação entre os estudantes cariocas é que agora a concorrência ficou ainda maior. "No Rio, cada prova tinha uma característica, e havia um perfil restrito de candidatos. Agora, com o Enem, a concorrência é com Brasil inteiro."

De acordo com ele, o cursinho reforçou o foco no Enem. Dos 5,3 milhões de inscritos. 335 mil são do Rio. O maior número de inscrições está em São Paulo: 901 mil.

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