Estudo indica que programa de inclusão digital é 'insuficiente'

Mapeamento da organização Ritla diz que governo brasileiro pode aumentar desigualdade social

EFE,

07 Agosto 2007 | 13h16

Um estudo divulgado nesta terça-feira, 7, indica que os programas brasileiros para disseminar o uso das novas tecnologias são "insuficientes" para superar as diferenças em relação aos países desenvolvidos, e advertiu que podem "reforçar as desigualdades existentes".   Veja também:  Governo anuncia desconto para expandir acesso à internet   "Com o ritmo atual, demoraremos algumas décadas para chegar aos níveis (de desenvolvimento) que os países avançados apresentam hoje", afirma o estudo "Mapa das Desigualdades Digitais no Brasil", elaborado pela organização intergovernamental Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla).   Esse documento acusa os programas brasileiros de "fragmentar" e "setorizar" as estratégias de inclusão digital, o que é causado "pela ausência de uma política pública de Estado que estabeleça as metas, as estratégias e os investimentos necessários" para reduzir as desigualdades.   Segundo dados da Ritla, o programa para instalar computadores em todas as escolas do País até 2010 anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) beneficiou "até agora, e em maior medida", os grupos privilegiados.   Em abril, o governo Lula anunciou investimentos de R$ 1 bilhão para desenvolver o sistema educacional brasileiro.   Entre as medidas anunciadas, estava a informatização das 130 mil escolas públicas do País, para o que o Ministério da Educação investirá cerca de US$ 400 milhões até 2010.   A Ritla cifrou em 36.816 o número de escolas que já têm laboratórios de informática, mas só 29.890 possuem acesso à internet e estão principalmente concentradas em áreas urbanas e de renda mais alta.   Segundo o estudo, a metade dos alunos de maior renda, que também têm mais acesso às novas tecnologias em casa, utiliza a internet nas escolas primárias, 170% a mais que os alunos de famílias com menor poder aquisitivo.   A "exclusão digital" entre ricos e pobres que o estudo indica se agrava entre as regiões mais ricas, como Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, e estados como Alagoas, Piauí, Sergipe e Pará.   A Ritla afirmou que a diferença do acesso à internet entre a população pobre de Alagoas e a de maior renda da capital é de 154%, muito superior à diferença entre o Brasil e países desenvolvidos como a Suíça, que supera em 76,2% o país sul-americano em acessos à rede.

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