Estudo liga mortes de homens na Rússia ao álcool

O consumo de formas de álcool impróprias para beber, como água de colônia, é um problema grave de saúde

Agencia Estado

15 de junho de 2007 | 10h43

O consumo de álcool impróprio para beber, como perfumes e antissépticos, pode ser responsável por 50% das mortes de homens em idade economicamente ativa da Rússia, de acordo com estudo publicado na revista médica The Lancet. "Trata-se de uma descoberta espantosa", diz o epidemiologista britânico Sir Richard Peto, que não tomou parte no estudo. Os cientistas que realizaram o levantamento limitaram-se a acompanhar o consumo de álcool impróprio na cidade de Izhevsk, mas especialistas suspeitam que a situação no município não seja atípica. "Evidência está surgindo de outras áreas, sugerindo que se trata de um problema nacional", disse Peto.A pesquisa indica que, a despeito da retomada do crescimento econômico na última década, a Rússia ainda sofre com graves problemas sociais e de saúde pública, especialmente nas áreas mais distantes de metrópoles como Moscou e São Petersburgo.A equipe do médico David Leon, da London School of Hygiene and Tropical Medicine, analisaram todas as mortes de homens com idade entre 25 e 54 anos na cidade de Izhevsk, de 2003 a 2005. Eles compararam os mortos com homens de idade comparável, ainda vivos, e entrevistaram parentes próximos dos falecidos, para determinar fatores que poderiam ter contribuído para as mortes. Os estudiosos concluíram que 43% das mortes forma causadas pelo consumo de bebidas perigosas. Eles não tiveram acesso às estatísticas sobre mortes causadas pelo consumo de álcool potável, mas de acordo com dados de 2002 sobre a Europa Orinetal, 19% das mortes masculinas podem ser atribuídas ao álcool em geral. na Europa Ocidental, o dado é de 3%.Preço e acesso são os principais fatores na popularização de drinques à base de matérias-primas como água de colônia. Esses chamados "substitutos do álcool" custam uma fração do preço da vodca, e estão disponíveis em quiosques e farmácias. "São vendidos de um modo que torna extremamente óbvio que o objetivo é bebida", disse Leon. "Beber substitutos do álcool é um jeito bem rápido de dar cabo de si mesmo", disse ele. A prática requer treino: os substitutos têm concentrações elevadíssimas de etanol, e a ingestão dessas formas concentradas pode destruir células do pulmão, se o consumidor aspirar imediatamente depois de dar um gole.Produtos como água de colônia e antissépticos podem conter até 97% de álcool, contra 43% da vodca russa.

Tudo o que sabemos sobre:
álcoolsaúderússia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.