Estudo relaciona pressão à trombose em vôos

O risco do surgimento de coágulos no sangue durante viagens de avião pode não estar relacionado apenas aos longos períodos em que passageiros ficam sentados, diz uma pesquisa publicada na revista científica The Lancet.Um estudo realizado por pesquisadores do Centro Médico da Universidade de Leiden, na Holanda, verificou uma coagulação mais elevada em pessoas durante oito horas de vôo do que durante o mesmo período quando elas estavam apenas sentadas, por exemplo, em um cinema.A pesquisa sugere que pressão e níveis de oxigênio baixos podem influenciar no processo de coagulação.A Trombose Venosa Profunda (TVB) ocorre quando o sangue que corre pelas veias mais profundas da panturrilha e das coxas passa tão lentamente a ponto de permitir a formação de um coágulo sólido.A TVB não é mortal, mas ela é associada a complicações que podem ser fatais. Por exemplo, um pedaço de coágulo pode se soltar e se instalar nos pulmões, resultando numa embolia pulmonar potencialmente fatal.Os pesquisadores mediram os níveis de substâncias químicas que indicam coagulação em 71 voluntários saudáveis antes, durante e imediatamente após um vôo de oito horas.Eles também compararam as concentrações destas substâncias das mesmas pessoas durante oito horas de uma longa sessão de cinema e oito horas de atividades diárias normais.De cada 10 participantes, quatro carregavam um gene que os colocavam em risco mais elevado de desenvolver trombose. Os resultados mostraram uma concentração maior das substâncias químicas durante o vôo em comparação com a das outras duas situações - principalmente nos voluntários com outros fatores de risco, como o gene.Fatores de riscoO chefe da equipe de pesquisadores, Frits Rosendaal, disse que a imobilização durante um vôo longo provavelmente continua sendo o principal fator de risco.Porém, ele ressaltou: "Nosso estudo sugere que não é apenas a imobilização, que existe algo além disso que contribui para o risco quando você está voando que não existe quando você está sentado durante um longo período no solo".Rosendaal disse que os motivos mais prováveis são a pressão e os níveis de oxigênio baixos, mas ele ressaltou que não dá para se descartar outros fatores potenciais, como o estresse.O cirurgião vascular do Hospital Lister, em Londres, John Scurr disse que estudos anteriores sobre o possível impacto de níveis reduzidos de oxigênio e pressão do ar no risco de produção de coágulos apresentaram resultados variados."Atualmente, a única prova que temos é de que a imobilização é o fator mais importante, mas vários de nós suspeitamos há um bom tempo que deve haver outros fatores", disse.Entretanto, Scurr afirmou ser necessário um estudo muito maior para fornecer respostas definitivas. Ele disse, porém, que os riscos para os viajantes são baixos.

Agencia Estado,

10 de março de 2006 | 19h24

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