Estudo relata cura de 14 pacientes com HIV

O grupo, que iniciou o tratamento precocemente, recebeu o coquetel durante três anos; hoje, sete anos após a interrupção, continuam sadios

MARIANA LENHARO, / COM REUTERS, AFP, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2013 | 02h04

Pesquisadores franceses divulgaram esta semana um estudo que relata a cura funcional de 14 pacientes com HIV. Por cura funcional, entende-se que eles permaneceram sem os sintomas da doença mesmo depois de terem parado de tomar o coquetel.

No grupo de pacientes, que foram diagnosticados no final dos anos 1990 ou começo dos anos 2000, o vírus não apresentou sinais de reaparição sete anos após a interrupção dos medicamentos. A pesquisa foi publicada anteontem na revista PLoS Pathogens.

O estudo, feito pelo Instituto Pasteur, de Paris, surge no mesmo mês em que médicos do Mississippi, nos Estados Unidos, anunciaram a cura de uma menina norte-americana que nasceu de mãe soropositiva e foi tratada logo após o parto, alcançando a cura funcional.

Os pacientes foram tratados durante três anos antes de interromperem a medicação. "O tratamento precoce nesses pacientes limitou o estabelecimento de reservatórios virais, a extensão das mutações virais, e preservou as reações imunológicas. Uma combinação desses fatores pode contribuir para controlar a infecção nos controladores pós-tratamento", disse Christine Rouzioux, professora do Hospital Necker e da Universidade Paris Descartes.

Os 14 pacientes foram denominados de "controladores pós-tratamento", pois, apesar de não terem eliminado completamente o HIV, continuaram mantendo um nível baixo de vírus em suas células, o que permitiu que não adoecessem.

Esses pacientes não fazem parte do raro grupo de "controladores de elite", que são os indivíduos com características genéticas presentes em menos de 1% da população que são capazes de se livrarem do HIV espontaneamente, sem medicamentos.

Christine acrescentou que "o encolhimento dos reservatórios virais praticamente se equipara à definição de cura funcional".

Para Myron Cohen, uma pesquisadora do Centro de Doenças Infecciosas da Universidade de Duke, o estudo é "provocativo". "Nos provoca a pensar: quem no universo dos tratados de forma precoce pode deixar o tratamento? Nos mostra algumas pistas, mas é uma pergunta que demanda mais estudos."

Um dos autores do estudo o pesquisador sênior do Instituto Pasteur Asier Saez-Cirion, disse que provavelmente será impossível controlar o vírus na maioria dos pacientes já contaminados, mas que os resultados sugerem que pelo menos alguns podem se curar se receberem os medicamentos com rapidez suficiente.

"(A nova pesquisa) e o estudo do Mississippi apoiam fortemente a iniciação precoce do tratamento, e podem conter pistas importantes para o desenvolvimento de uma estratégia para curar o HIV ou pelo menos induzir a um controle de longo prazo sem a necessidade de tratamento antirretroviral." Ele acrescenta que os resultados são uma prova de conceito que poderia ser bem sucedida em outros indivíduos.

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