Estudo vincula recessão britânica a mil suicídios

A recessão, o desemprego e as medidas governamentais de austeridade já levaram mais de mil pessoas a cometerem suicídio na Inglaterra, segundo um estudo publicado nesta quarta-feira.

KATE KELLAND, Reuters

15 de agosto de 2012 | 10h11

Essa análise comparou o número real de suicídios com a cifra que era esperada caso as tendências pré-recessão se mantivessem. O resultado reflete conclusões de outros lugares da Europa onde os suicídios também estão crescendo.

"Essa é uma sombria lembrança, depois da euforia olímpica, dos desafios que enfrentamos e dos que estão pela frente", disse o sociólogo David Stuckler, da Universidade de Cambridge, um dos autores do estudo publicado no British Medical Journal (BMJ).

Segundo os pesquisadores, entre 2008 e 2010 houve 846 suicídios a mais entre homens na Inglaterra do que se poderia esperar, e 155 entre mulheres.

Entre 2000 e 2010, cada aumento anual de 10 por cento no número de desempregados correspondia a uma elevação de 1,4 por cento nos suicídios masculinos, segundo o estudo.

A análise usou dados do Banco de Dados Nacional de Resultados Clínicos e de Saúde, e do Departamento Nacional de Estatísticas.

Keith Hawton, professor do Centro para a Pesquisa do Suicídio, da Universidade de Oxford, que não participou do estudo, disse que as conclusões são "de considerável interesse, e certamente geram preocupações", mas que devem ser interpretadas com cuidado.

"Também é importante que não sejam excessivamente dramatizadas de forma a aumentarem os pensamentos suicidas entre aqueles afetados pela recessão", disse ele num comentário por e-mail.

Stuckler, que trabalhou com pesquisadores da Universidade de Liverpool e da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, salientou que, embora esse tipo de estudo estatístico não seja capaz de estabelecer um vínculo causal, há um forte indicador de que as duas coisas estão associadas.

Suas conclusões são reforçadas por outros indicadores sobre o aumento nos problemas de saúde mental, estresse e ansiedade, acrescentou. Ele também apontou que o estudo mostrou uma ligeira redução no número de suicídios em 2010, coincidindo com uma pequena recuperação no emprego entre os homens.

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