Etanol do Brasil requer R$130 bi para elevar oferta até 2020

A indústria de etanol precisará de investimentos da ordem de 130 bilhões de reais para elevar a oferta e capacidade de moagem de cana em projetos já existentes até 2020/21 no país, em um cenário com 50 por cento do biocombustível na matriz de combustíveis do Brasil, disse o presidente interino da associação que reúne a indústria.

FABIOLA GOMES, Reuters

07 de agosto de 2012 | 13h20

Com um menor consumo de etanol em função de preços pouco competitivos frente à gasolina, o biocombustível perdeu espaço na matriz, respondendo por pouco mais de 30 por cento, segundo levantamento recente da consultoria Datagro.

"Se fosse definido claramente uma matriz com 50 por cento de etanol, seriam necessárias 300 milhões de toneladas de cana... O investimento em plantio de cana, em indústrias, tratores e implementos seria da ordem de 130 bilhões de reais", afirmou Antonio de Padua Rodrigues, presidente interino da Unica (União da Indústria de Cana-de-açúcar) no intervalo do 13o Encontro Internacional de Energia.

O consumo de etanol já chegou a rivalizar com o da gasolina no país. Mas, diante de preços mais altos do biocombustível, enquanto o valor do combustível fóssil praticamente não se altera na bomba pela política do governo, o renovável perdeu espaço.

Uma moagem de 300 milhões de toneladas de cana adicional representaria mais da metade do que a região centro-sul processa atualmente. Das pouco mais de 500 milhões de toneladas de cana previstas para a moagem da safra 2012/13, cerca de 45 por cento vão para a produção de açúcar.

Padua explicou que os recursos projetados precisariam ser contratados entre 2013 e 2016, para que a partir de 2020 se conseguisse atender aquele cenário de matriz dos combustíveis. O cálculo não inclui investimentos adicionais para exportação ou produção de açúcar, mas apenas dedicado à produção de etanol anidro, hidratado e energia.

Ele ponderou, contudo, que a indústria enfrenta uma crise em meio à fraca disposição de investidores em investir no setor pela baixa taxa de retorno, em torno de 4 por cento ao ano, considerando vendas realizadas em São Paulo.

Face a crise enfrentada pelo setor, a indústria trabalha com alto nível de capacidade ociosa de moagem--tem uma capacidade total de quase 700 milhões de toneladas em todo o país. Somente neste ano, no centro-sul 14 unidades pararam de operar.

O consenso entre os especialistas reunidos durante o encontro é de que, para impulsionar investimentos, o setor depende de um cenário mais claro da participação do etanol na matriz e de alterações na política de formação de preços, que ao limitar a alta da gasolina na prática impõe um teto ao valor do etanol.

MOAGEM

A expectativa de moagem do centro-sul nesta temporada está em 509 milhões de toneladas, ligeiramente acima da temporada anterior que sofreu com problemas climáticos. E Padua acredita que este número não deve se alterar muito ao longo deste ano.

"Poderemos ver uma oferta maior de cana. Já o açúcar recuperável pode ficar entre 4 a 5 kg inferior ao ano anterior", disse ele, referindo-se ao efeito do clima chuvoso, que chegou a interferir no início da colheita, mas deve beneficiar a produtividade agrícola.

"Agora a previsão é de clima favorável à colheita... recupera a moagem", acrescentou.

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