André Lessa/AE
André Lessa/AE

Eu só queria jantar

Giro à italiana em duas paradas

Luiz Américo Camargo,

04 Abril 2012 | 20h34

Trinità Gastronomia

O Trinità Gastronomia, o que é? Não é fácil formar um juízo sobre um espaço que abriga empório e vitrine de doces na entrada, salões amplos, fábrica de massas no mezanino. Isso num prédio de quatro andares, com estacionamento próprio. E almoço em sistema de bufê, pizzas à noite...

Visitei o "complexo" em situações e horários diferentes. E vou me ater ao essencial. O almoço, com direito a massas variadas, é conveniente para uma refeição sem tempo nem maiores aspirações. Já a pizza não empolga e achei os discos um pouco pesados, deveriam ser mais bem assados. Mas o novo menu à la carte, servido à noite de terça a sábado, me pareceu apontar para um caminho melhor.

Há três semanas, quem cuida da cozinha é o cuoco toscano Riccardo Rossi (desde a inauguração, em 2011, o cardápio seguia as orientações do proprietário Adriano Olmeda, sempre presente no salão). O chef passou por lugares como o Vino & Olio, em Miami, e o Da Caino, em Montemerano, na Toscana - este, um dos restaurantes mais respeitados daquela região.

Gostei particularmente das massas frescas, como o tortelli de coelho com molho de aspargos (R$ 38); e, num nível abaixo, do pappardelle com molho de javali (rodeado por um talvez desnecessário creme de abóbora, R$ 36). Pratos um tanto rústicos, sem muito rigor, mas com bom potencial de sabor.

Em todas as visitas, o serviço, gentil no geral, foi enfático: "Não deixe de provar as sobremesas". Pedi e foi quase bom. Para uma casa que defende a bandeira por vezes vaga da cozinha tradicional, achei que havia liberdade demais no mil-folhas e no tiramisù (o que é um eufemismo para dizer: precisa melhorar). Quem sabe funcionassem em interpretações mais convencionais.

Por que este restaurante?

É uma casa ainda nova, com chef novo.

Vale?

Pelo preço palatável, e pelo menu novo, vale arriscar.

Av. Pres. Juscelino. Kubitschek, 1.444, Itaim Bibi, 12h/15h e 19h/0h (sáb. e dom., 12h45/ 16h30; 2ª só almoço). Cc.: todos.

Vito

O Vito está cheio porque está sempre cheio. Tem sido assim e continua sendo desde o primeiro dia no novo endereço - no mesmo bairro e com mais mesas. Na falta de uma explicação mais técnica para quatro anos de lotação quase cotidiana, parece uma espécie de circuito que se autoalimenta. Arrisco duas possibilidades. Um caso exemplar de sucesso regional, na Vila Beatriz; o interesse pelo cardápio de inspiração italiana (e sem complicações) do chef André Mifano.

Na casa, aberta há pouco mais de um mês, Mifano e seu sócio, Pedro Ferraz Cardoso, poderiam ter dobrado a capacidade do restaurante - o aumento foi de 27 para 40 assentos. Porém, privilegiaram um pouco mais de conforto para os clientes, o que é respeitável, embora a área de espera seja apertada. Mas o Vito, enfim, melhorou as instalações, aprimorou o atendimento (com destaque para um atencioso serviço de vinhos) e manteve a proposta da cozinha - que, a meu ver, nunca se pretendeu ser alta Cucina.

O almoço executivo, com couvert, entrada e massa, continua por R$ 30, para uma comida sem sustos. Entre as poucas novidades no cardápio à la carte, mais uma opção suína honesta, além da já famosa barriga: o pescoço de porco assado lentamente, com abóbora e maçã (R$ 45). O Vito, enfim, segue seu voo de altura mediana, de poucas turbulências - mas em poltrona mais espaçosa.

Por que este restaurante?

Ele acaba de mudar de casa.

Vale?

O preço do executivo é camarada.

R. Isabel de Castela, 529, Pinheiros, 3032-1469. 12h/14h45 e 19h30/ 22h45 (6ª, até 23h45; sáb., 13h/ 22h30; fecha dom. e 2ª). Cc: todos.

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