EUA analisam possibilidade de atacar bases da Al-Qaeda no Iêmen

Avaliação de Washington é a de que governo iemenita não é capaz, sozinho, de conter a ameaça terrorista

Gustavo Chacra, CORRESPONDENTE, NOVA YORK, O Estadao de S.Paulo

31 Dezembro 2009 | 00h00

Os EUA estudam lançar ataques cirúrgicos contra bases da Al-Qaeda no Iêmen. A ação, não confirmada oficialmente, seria uma resposta ao frustrado atentado contra um avião com destino a Detroit, no Dia de Natal. O terrorista, de origem nigeriana, argumenta ter recebido ajuda da rede terrorista que tem bases no território iemenita.

Autoridades do Iêmen negam e afirmam que apenas as tropas do país manterão as operações contra a Al-Qaeda. O ministro das Relações Exteriores iemenita, Abu Bakr al-Qirbi, disse não existir necessidade de ataques aéreos americanos. Segundo o chanceler, a ajuda americana deve ser restrita à assistência técnica e informações de inteligência. Dias antes da tentativa de atentado nos EUA, integrantes da organização liderada por Osama bin Laden foram bombardeados pela Força Aérea de Sanaa, que realiza operações periódicas contra a Al-Qaeda da Península Arábica, que transformou o território iemenita no reduto da rede.

Os EUA estudam ainda, depois da ação em Detroit, elevar de US$ 70 milhões para US$ 190 milhões a contribuição anual para o regime do presidente Ali Abdallah Saleh combater o terrorismo. O problema, na avaliação de membros da área de segurança americana, segundo a rede de TV CNN, é que o Iêmen não tem capacidade de enfrentar sozinho a Al-Qaeda mesmo com mais ajuda financeira. A saída seria a ação aérea americana.

No passado, os EUA bombardearam alvos no Sudão e no Afeganistão - mesmo antes da guerra -, depois de atentados da rede terrorista. A Líbia também foi alvo dos americanos pela explosão de um avião num atentado sem relação com a Al-Qaeda. No ano passado, os EUA bombardearam uma área síria na fronteira com o Iraque por onde supostamente passavam militantes para o território iraquiano. Ao contrário dessas ações no passado, os EUA poderiam lançar os ataques sem anunciar publicamente, de acordo com as autoridades citadas pela CNN. A administração de Barack Obama usaria caças, aviões não-tripulados e mesmo mísseis nos ataques. Alguns ações talvez já tenham ocorrido, sem divulgação oficial.

Os americanos também estão preocupados com os outros conflitos com os quais o regime de Saleh está envolvido. Os iemenitas lutam contra o grupo dos Houthis, com a ajuda militar da Arábia Saudita, no norte do país. Ao sul, combatem tribos separatistas. Na avaliação dos EUA, esses confrontos domésticos desviam o foco do governo, que deveria centralizar seus esforços militares contra a Al-Qaeda, mais importante para a segurança internacional.

De acordo com Washington, o governo do Iêmen tinha informações de inteligência sobre o risco de um atentado antes do dia 25, com membros da Al-Qaeda afirmando em sites monitorados sobre a possibilidade de um nigeriano liderar o ataque terrorista contra alvos no Ocidente. Naquela data, Umar Farouk Abdulmutallab fracassou ao tentar explodir um avião que iria pousar em Detroit, vindo de Amsterdã. Na terça-feira, Obama, duramente criticado pelos republicanos por sua atuação diante do frustrado atentado, admitiu ter havido "falhas humanas e sistêmicas".

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