EUA cogitam quarentenas para agentes de saúde; enfermeiras estão curadas do Ebola

O governo dos Estados Unidos está considerando quarentenas para os trabalhadores de saúde que retornam de países da África Ocidental atingidos pelo Ebola, disse uma autoridade nesta sexta-feira, enquanto funcionários de Nova York detalham os passos de um médico com a doença.

SEBASTIEN MALO E LAILA KEARNEY, REUTERS

24 de outubro de 2014 | 18h39

Em Washington, o presidente Barack Obama abraçou uma enfermeira de Dallas que sobreviveu ao Ebola após cuidar de um paciente com o vírus.

A quarentena de profissionais de saúde que retornam aos Estados Unidos a partir de regiões devastadas pelo Ebola está entre uma série de opções que estão sendo discutidas por autoridades, disse à Reuters Tom Skinner, porta-voz do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês).

As discussões conduzidas pelo CDC começaram na quinta-feira depois que o médico Craig Spencer testou positivo para a doença ao voltar para Nova York, vindo da África Ocidental.

Spencer, de 33 anos, infectado depois de tratar de pacientes com Ebola no oeste da África, tornou-se a quarta pessoa diagnosticada com a doença nos EUA e a primeira em sua maior cidade.

Spencer está desperto e conversa com familiares e amigos por celular, informou a médica Mary Travis Bassett, comissária de saúde de Nova York, em uma coletiva de imprensa.

Já Nina Pham, uma de duas enfermeiras de um hospital de Dallas, no Estado do Texas, contaminadas com o Ebola depois de cuidarem de Thomas Eric Duncan, primeiro paciente diagnosticado com a doença no país, foi declarada livre do vírus. Ela saiu do hospital de Maryland onde estava sendo tratada sorrindo e sem auxílio.

Com um blazer escuro e uma blusa azul-turquesa, Pham disse que, mesmo que não esteja mais infectada, "eu sei que pode levar um tempo até que eu tenha minha força de volta". Ela declarou que estava ansiosa para ver sua família e seu cachorro.

O porta-voz da Casa Branca Josh Earnest disse que Obama decidiu encontrar Pham para reconhecer o seu trabalho no hospital de Dallas. Fotografias da reunião mostraram Obama abraçando Pham. Repórteres e câmeras de televisão não foram liberados para a reunião.

Autoridades de saúde federais afirmaram que a outra enfermeira, Amber Vinson, não tem mais sinais da febre hemorrágica. O Hospital da Universidade de Emory confirmou que ela está curada, mas ainda não há previsão de alta.

TEMOR EM NOVA YORK

Spencer foi posto em quarentena no Hospital Bellevue seis dias depois de voltar da Guiné, onde o surto de Ebola começou em março, enervando o mercado financeiro em meio aos temores de que o vírus pudesse se espalhar na metrópole. Os três casos anteriores diagnosticados nos EUA foram em Dallas.

O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, afirmou que as autoridades de saúde estão rastreando todos os passos de Spencer, mas fez um apelo aos nova-iorquinos para não se preocuparem e manterem suas rotinas diárias.

Três pessoas que tiveram contato próximo com Spencer, um voluntário dos Médicos Sem Fronteiras (MSF), foram postas em quarentena para observação. A noiva de Spencer é uma delas e está isolada no mesmo hospital, e os três ainda estão saudáveis, informaram as autoridades.

As autoridades procuraram garantir que os nova-iorquinos estão seguros, embora Spencer tenha usado o metrô, tomado um táxi e visitado uma pista de boliche entre seu retorno da Guiné e o surgimento dos sintomas.

O governado do Estado de Nova York, Andrew Cuomo, declarou que, ao contrário de Dallas, onde as duas enfermeiras que trataram de Duncan contraíram a doença, as autoridades de Nova York tiveram tempo de se preparar minuciosamente e treinar para a possibilidade da emergência de um caso na cidade.

A resposta de Obama ao Ebola rendeu novas críticas de republicanos no Congresso durante uma audiência nesta sexta-feira. A deputada republicana Darrell Issa, da Califórnia, que preside o Comitê de Supervisão da Câmara dos Deputados, rechaçou o que descreveu como reação “atrapalhada” do governo.

O caso de Spencer eleva para nove o número de pessoas tratadas da doença em hospitais dos EUA desde agosto, mais só as enfermeiras de Duncan contraíram o vírus no país.

O pior surto de Ebola já registrado matou pelo menos 4.877 pessoas, a maioria na Libéria, em Serra Leoa e na Guiné, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

(Reportagem adicional de Edward McAllister, Sebastien Malo, Frank McGurty, Barbara Goldberg, Luc Cohen, Robert Gibbons, Natasja Sheriff, Jonathan Allen e Laila Kearney em Nova York, e Bill Trott, David Morgan e Toni Clarke em Washington)

Mais conteúdo sobre:
SAUDEEBOLANYENFERMEIRAS*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.