EUA desenvolvem novo tratamento para a leucemia

Aplicação de glóbulos brancos geneticamente modificados substituiria transplante de medula; menina foi a 1ª paciente

STATE COLLEGE, EUA, O Estado de S.Paulo

11 Dezembro 2012 | 02h05

Uma americana de 7 anos, do Estado da Pensilvânia, tornou-se a primeira criança a receber um tratamento experimental para leucemia linfoblástica aguda que usou uma versão modificada de seu próprio sistema imunológico para combater a doença.

Emily Whitehead e seus pais, Tom e Kari, da cidade de Philipsburg, pediram ajuda a especialistas da Universidade da Pensilvânia e do Hospital Infantil da Filadélfia quando a quimioterapia falhou e um transplante de medula óssea não era viável.

Em abril, Emily recebeu versões geneticamente alteradas de suas células T - glóbulos brancos que combatem infecções -, de modo a reconhecerem e atacarem as células do câncer. Os médicos removeram as células por um processo similar a uma doação de sangue, programaram-nas para atacar o câncer da menina, fizeram-nas crescer em laboratório e as injetaram novamente em Emily.

Dois meses depois, exames não mostraram mais sinais de câncer e Emily teve alta.

Desde então, os pesquisadores usam o que aprenderam com o caso de Emily para tratar outros pacientes de câncer que também não têm mais alternativas convencionais. Suas conclusões foram descritas no fim de semana, na reunião anual da Sociedade Americana de Hematologia.

Novo objetivo. A meta dos especialistas é substituir o transplante de medula óssea pela nova terapia com as células T. "Estamos tentando tratar o câncer de uma maneira totalmente nova", disse Stephen Grupp, oncologista pediátrico que tratou Emily no hospital da Filadélfia.

Segundo o médico, o câncer normalmente evita muito bem as células T. Os pesquisadores trabalham há anos para desenvolver um método de "treinar" as células T para se multiplicarem e atacarem o câncer, de forma similar a uma vacina.

"Mas todos os esforços têm sido malsucedidos porque, quando você tem um grande tumor no seu corpo, é muito difícil preparar o sistema imunológico para a batalha", disse Michael Kalos, da Escola de Medicina da Universidade da Pensilvânia. Por isso eles decidiram desenvolver as células fora do corpo. / AP

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