Lucas Jackson/Reuters
Lucas Jackson/Reuters

EUA mudam indicação de cirurgia bariátrica

Índice de Massa Corpórea para a banda gástrica ajustável baixou de 35 para 30

Andrew Pollack, The New York Times, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2011 | 00h00

As pessoas não precisam mais ser tão obesas como era exigido até agora para se habilitarem a uma cirurgia destinada à perda de peso - ao menos nos Estados Unidos.

A FDA (agência de vigilância sanitária americana) aprovou o uso do Lap-Band (banda gástrica ajustável), da Allergan, no tratamento de pacientes com obesidade de grau leve. A agência baixou a exigência mínima de índice de massa corpórea (IMC) de 35 para 30, desde que o paciente tenha problemas associados, como hipertensão ou diabete.

O Lap-Band é um anel de silicone inflável colocado na parte superior do estômago. Ele limita a quantidade de alimentos que a pessoa pode ingerir, fazendo com que ela se sinta satisfeita mais rapidamente.

Segundo a empresa, mais de 26 milhões de americanos poderão se submeter à cirurgia - quase o dobro dos 15 milhões que, com base nos critérios anteriores de indicação, tinham direito à operação. Obesos sem problemas associados não poderão se submeter à cirurgia. "Com o objetivo de levar a terapia para os pacientes que mais se beneficiarão com ela, a indicação aprovada fica limitada àquelas pessoas com mais riscos de complicações ligadas à obesidade", disse Karen Riley, porta-voz da FDA.

Até agora, o Lap-Band era autorizado para pessoas com IMC de no mínimo 40, caso não tivessem problemas de saúde por causa da obesidade, e de pelo menos 35 se sofressem alguma doença.

Com base nas regras anteriores, uma pessoa com 1,70 metro de altura teria de pesar 97,9 quilos para ter direito à cirurgia. Agora, basta ter 84,3 quilos para poder fazer a cirurgia.

Em dezembro do ano passado, uma comissão consultiva da FDA aprovou por oito votos a dois o pedido da Allergan, concluindo que os benefícios do uso do dispositivo nesse grupo de pacientes menos obesos excediam os riscos do procedimento.

Eficácia restrita. No Brasil, a banda gástrica é usada desde a década de 90 em pacientes com IMC acima de 35. Já foi considerada padrão ouro de tratamento, mas é pouco utilizada porque o índice de pacientes que voltam a engordar é alto (ao menos 20%). Hoje ela representa menos de 5% dos tratamentos cirúrgicos.

"A banda gástrica é um dos métodos cirúrgicos mais consagrados, mas é escolhido pela minoria dos pacientes. Ela exige um acompanhamento mais próximo do médico do que as outras técnicas e é mais fácil de burlar. Sem uma boa orientação, a recidiva é muito maior", diz Arthur Garrido Júnior, coordenador do grupo de cirurgia bariátrica do Hospital Oswaldo Cruz.

Para ele, o fato de os EUA terem reduzido o IMC para a indicação cirúrgica é uma boa notícia. "Há um esforço mundial para baixar o índice. Há muitos pacientes com IMC 30, 32, que possuem doenças associadas e não podem ser operados. E é a doença que justifica a operação", diz.

O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica, Ricardo Cohen, concorda e diz que a decisão da FDA é um primeiro passo para que isso seja estendido para as outras técnicas. Cohen diz que a banda gástrica não é eficaz em obesos mórbidos, mas pode ser uma boa alternativa para pessoas com obesidade leve, com IMC menor.

Segundo Cohen, de 10 milhões a 12 milhões de brasileiros poderiam se beneficiar da técnica, caso a indicação do IMC também fosse reduzida aqui. "O que a FDA fez é um avanço. Não podemos considerar o IMC como único critério para operar alguém. Ele tem de ser mais um."

Escassez de drogas. Para especialistas, a nova indicação do Lap-Band nos EUA, combinada com a escassez de drogas para perda de peso, deve levar um número maior de pessoas moderadamente obesas a pensar numa cirurgia. Nos últimos meses, a FDA recusou a aprovação de novas pílulas para emagrecimento.

Aqui no Brasil, o cerco contra os emagrecedores também está fechando. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) convocou uma audiência pública para discutir a proibição desses medicamentos no País. Alega que os benefícios da perda de peso não superam os riscos. / COLABOROU FERNANDA BASSETTE

AS TÉCNICAS

Banda gástrica ajustável

Método menos radical. Uma prótese de silicone inflável e ajustável é colocada por laparoscopia na porção superior do estômago, deixando-o com a forma de uma ampulheta. A pessoa come menos e a perda de peso é de cerca de 20%

Derivação gástrica em Y de Roux

Método mais usado. A maior parte do estômago é isolada do processo digestivo e grampeada, por laparoscopia. O estômago é reduzido a um volume de 30 ml e conectado ao jejuno (a porção média do intestino), sem passar pelo duodeno. Em média, o paciente perde de 30% a 40% do peso.

Gastrectomia vertical

Método irreversível. Por laparoscopia, o cirurgião extrai 80% do estômago, que passa a armazenar entre 150 ml e 250 ml. O que sobrou é grampeado em forma do tubo que vai do esôfago até o duodeno. A pessoa come menos, mas absorve nutrientes normalmente. A perda de peso é de 35% a 40 %.

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