EUA pagaram caro por protecionismo, afirma McCain

Senador diz à BBC Brasil que diverge de outros republicanos sobre o livre comércio.

Bruno Garcez, BBC

15 de janeiro de 2008 | 09h40

O senador John McCain, pré-candidato à Presidência dos Estados Unidos pelo Partido Republicano, afirmou que sua visão em defesa do livre comércio e contra a concessão de subsídios à indústria americana diverge da de outros presidenciáveis de seu partido.Os comentários de McCain se deram durante uma entrevista coletiva realizada durante sua visita ao Salão do Automóvel Norte-Americano, realizado em Detroit.McCain respondeu a uma pergunta da BBC Brasil sobre quais foram as mudanças sofridas em seu partido, notoriamente favorável ao livre comércio e à competição sem regulamentação do governo.Esses tópicos fizeram com que ele se tornasse o único candidato entre os republicanos a condenar a concessão de subsídios e a exaltar a criação de acordos de livre comércio."Acredito no livre comércio e sempre acreditei", disse o senador. "Acredito que sempre que praticamos o protecionismo, nós pagamos um preço pesado e elevado, que às vezes nos custou até empregos." "Talvez haja um desacordo entre eu, o governador Romney e outros sobre esse assunto", acrescentou McCain, alfinetando o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney, seu maior rival na disputa da primária do Michigan, realizada nesta terça-feira.HuckabeeMas o recado de McCain também pareceu endereçado ao terceiro colocado na disputa, segundo pesquisas, o ex-governador de Arkansas Mike Huckabee.Durante uma visita à fábrica da General Motors, na tarde de segunda-feira, Huckabee reforçou a linha populista que vem marcando a sua candidatura e que tem levado muitos a acusá-lo de estar à esquerda do Partido Republicano. O ex-governador disse que existem "acordos de livre comércio que não estão sendo reforçados dos dois lados da fronteira" e acrescentou que "essa é uma das razões pelas quais as pessoas estão perdendo empregos", em uma aparente referência ao Nafta (o Acordo de Livre Comércio da América do Norte, assinado por Estados Unidos, México e Canadá).Huckabee lembrou, durante a sua visita à fábrica da GM, que o local havia sido a sede da construção de bombardeiros usados durante a Segunda Guerra Mundial."Não devemos terceirizar nossos armamentos de defesa, porque, assim, nós não teremos apenas terceirizado empregos, teremos também terceirizado a nossa liberdade", acrescentou.Indústria automobilísticaMitt Romney, que é nascido no Michigan e cujo pai foi um popular governador do Estado no período áureo da indústria automobilística, na década de 60, disse que pretende levar de volta para o Estado alguns dos empregos que Michigan perdeu. A taxa de desemprego estadual é de 7,4%, a mais elevada dos Estados Unidos. McCain afirma que essa é uma possibilidade inexistente. "Quem disser que os antigos empregos irão voltar ou é ingênu ou não está sendo honesto com as pessoas do Michigan e dos Estados Unidos."O senador afirma que o caminho para que a indústria automobilística, outrora o motor econômico do Estado, retome o seu vigor, é preciso que Michigan abrace "tecnologias verdes", o que, segundo ele, dará vazão a um enorme fluxo de novos empregos.Durante sua visita ao Salão do Automóvel, McCain conferiu vários veículos híbridos e automóveis movidos a biocombustíveis. Huckabee e Romney também visitaram a feira automotiva na segunda-feira. Por uma casualidade, a visita ocorreu, inclusive, ao mesmo tempo. Mas os dois candidatos fingiram não estar cientes da presença do outro, embora, em determinado momento, apenas um Chevrolet Tahoe os separava. Romney defende que o governo americano reforce seus investimentos no setor automobilístico, passando dos atuais US$ 4 bilhões (R$ 6,8 billhões) para US$ 20 bilhões (R$ 34,5 bilhões).BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.