EUA pedem reformas, mas não prevêem fim do embargo a Cuba

Após renúncia de Fidel Castro, diplomata dos EUA não crê em mudança no curto prazo.

Da BBC Brasil, BBC

19 Fevereiro 2008 | 18h30

O governo dos Estados Unidos indicou nesta terça-feira que não contempla a possibilidade de suspender no curto prazo o embargo econômico imposto a Cuba desde 1962, apesar do anúncio do líder cubano Fidel Castro de que não aceitará mais um mandato na Presidência do país.Questionado sobre o embargo, o vice-secretário de Estado, John Negroponte, se limitou a dizer que não imagina como o fim das restrições possa ser anunciado "logo".Antes, o presidente americano, George W. Bush, disse esperar que o anúncio de Fidel Castro signifique o início de uma "transição democrática" em Cuba."Esse deve ser um período de transição, o começo de uma transição democrática para o povo de Cuba", afirmou Bush, que faz um giro por países africanos."No final, essa transição deve levar a eleições livres e justas, livres e justas de verdade - não esse tipo de eleições encenadas que os irmãos Castro tentam empurrar como sendo verdadeira democracia."Direitos humanosA situação dos presos políticos em Cuba também foi alvo de reações de autoridades americanas. Para Bush, a saída de Fidel do poder deve levar à libertação dos presos políticos que se opõem ao regime comunista."São pessoas que foram colocadas na prisão porque ousaram falar o que pensam", declarou Bush, acrescentando que "os Estados Unidos vão ajudar o povo de Cuba a conseguir sua liberdade".A organização humanitária Anistia Internacional pediu que o sucessor de Fidel Castro liberte "incondicionalmente" os prisioneiros políticos em Cuba, mas procurou se distanciar da linha americana ao criticar medidas de restrição econômica, como o embargo. Fidel, de 81 anos, anunciou nesta terça-feira que não aceitará mais o cargo de Presidente do Conselho de Estado, para o qual vinha sendo eleito e ratificado desde 1976, em uma mensagem publicada pelo jornal oficial do Partido Comunista Cubano, o Granma. Ele comandou o regime cubano como primeiro-ministro por 18 anos, passando à Presidência do país por escolha da Assembléia, eleita após a aprovação da Constituição Socialista de 1976. Ele estava afastado das funções de presidente desde 2006 devido a problemas de saúde.SucessãoEm Havana, não houve nenhum tipo de manifestação pedindo mudanças no país, motivada pelo anúncio de Fidel. Por outro lado, em Miami, reduto da comunidade cubana nos Estados Unidos, exilados comemoraram a novidade e pediram reformas democratizantes na ilha.A expectativa é de que a Assembléia Nacional Cubana eleja no próxima dia 24 o irmão de Fidel, Raúl, para substitui-lo. Ele vem ocupado o cargo presidente de forma interina desde que Fidel se afastou.No entanto, analistas vêem a possibilidade de uma surpresa, na qual o atual vice-presidente, Carlos Lage Dávila, poderia vencer a votação.Raúl Castro vem trabalhando para garantir uma transição política suave em Cuba, mantendo a lealdade do Exército e fortalecendo o Partido Comunista por meio de reformas e do combate à corrupção.Ele também goza do apoio do presidente venezuelano, Hugo Chávez, que fornece petróleo barato ao país.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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