EUA precisam repensar controle de infecção do Ebola, diz CDC

O caso de uma enfermeira de Dallas que contraiu Ebola enquanto tratava de um paciente liberiano mostra que os Estados Unidos precisam repensar a maneira como controlam a infecção no momento em que o surto que assola o oeste da África está se disseminando globalmente, disse uma autoridade norte-americana da saúde nesta segunda-feira.

LISA MARIA GARZA E TERRY WADE, REUTERS

13 de outubro de 2014 | 16h37

O doutor Thomas Frieden, diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês), declarou que as autoridades de saúde estão investigando como a enfermeira se contaminou enquanto cuidava de Thomas Eric Duncan em uma ala de isolamento no hospital Texas Health Presbyterian.

Duncan morreu na semana passada, e a enfermeira é a primeira pessoa a contrair o vírus em solo norte-americano, aprofundando as preocupações sobre a contenção da doença.

Ela está “clinicamente estável”, afirmou Frieden, e o CDC está monitorando outros envolvidos no tratamento de Duncan para o caso de exibirem sintomas da febre hemorrágica.

“Temos que repensar a maneira como abordamos o controle de infecção do Ebola. Até mesmo uma única infecção é inaceitável”, disse Frieden a repórteres. “O tratamento do Ebola é difícil. Estamos trabalhando para torná-lo mais seguro e mais fácil”.

Frieden também se desculpou por seus comentários de domingo, quando a contaminação da enfermeira foi revelada, nos quais insinuou que ela foi responsável por uma violação nos protocolos que a teriam exposto ao vírus. Alguns especialistas de saúde disseram que sua fala deixou de abordar as grandes limitações no treinamento das equipes hospitalares para lidarem com o Ebola.

“Peço desculpas se passei esta impressão”, declarou Frieden, dizendo que a agência irá adotar medidas para aumentar a conscientização sobre a doença nos hospitais do país e o treinamento de pessoal.

O presidente dos EUA, Barack Obama, deve ser reunir com autoridades do alto escalão do governo para discutir formas de garantir que o sistema de saúde norte-americano esteja preparado para cuidar das pessoas infectadas, informou a Casa Branca.

Enquanto isso, o procurador-geral do Estado da Louisiana, Buddy Caldwell, declarou ter solicitado uma medida cautelar para evitar que os pertences pessoais de Duncan, falecido na quarta-feira passada, sejam enterrados em um aterro local, mesmo depois de incinerados.

De acordo com as diretrizes do CDC, o vírus do Ebola não sobrevive em materiais que foram incinerados.

A infecção da enfermeira de Dallas é a segunda de que se tem conhecimento a ter ocorrido fora do oeste africano desde o início do surto em março na Guiné, e surge na esteira daquela de uma enfermeira espanhola que ajudou a tratar de um missionário que atuou em Serra Leoa e morreu em decorrência da doença.

(Reportagem adicional de Julie Steenhuysen, em Chicago; e de Jonathan Kaminsky, em Nova Orleans)

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