EUA pressionaram Brasil sobre patente de droga antiaids

Telegramas oficiais da embaixada dos Estados Unidos em Brasília sobre as negociações entre o governo e as empresas farmacêuticas revelam a pressão da Casa Branca para evitar a quebra de patentes no Brasil, o envolvimento direto do governo George W. Bush com as multinacionais e ainda as divisões internas no governo brasileiro. Os documentos foram obtidos pela entidade americana Knowledge Ecology International (KEI), especializada no debate sobre patentes de remédios. A organização conseguiu a liberação dos telegramas oficiais graças ao Freedom of Information Act, a lei de liberdade de informação dos EUA. Os telegramas foram enviados ao Departamento de Estado, em Washington, e tratam das negociações entre 2004 e 2006. Entre as companhias farmacêuticas envolvidas estão Roche, Abbott, Gilead e Merck. ?Eles ilustram o grau em que o governo americano tenta manipular e influenciar as deliberações políticas domésticas do Brasil no que se refere ao acesso a remédios?, afirma James Love, diretor da KEI. ?Os documentos também mostram como o governo americano trabalha, próximo às grandes companhias farmacêuticas, nos bastidores, tentando minar acordos internacionais de saúde pública.?Os textos não abrangem a decisão inédita do governo brasileiro, em maio, de quebrar a patente do Efavirenz, da Merck, o que permite a importação de versões genéricas e a fabricação do remédio no País. Distribuído gratuitamente pela União, o coquetel antiaids contém 17 medicamentos, 8 nacionais e 9 importados. Cerca de 180 mil pacientes recebem as drogas, ao custo de R$ 980 milhões em 2007. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

AE, Agencia Estado

12 de outubro de 2007 | 08h58

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