EUA se reúnem com Irmandade Islâmica do Egito

Autoridades dos Estados Unidos se reuniram com membros do partido político Irmandade Muçulmana, segundo um diplomata norte-americano. Washington anunciou manter contatos diretos com o maior grupo islâmico do Egito, cujo papel tem crescido desde o ex-presidente Hosni Mubarak deixou o poder.

EDMUND BLAIR, REUTERS

02 de outubro de 2011 | 10h06

"Temos contato direto com altos funcionários do partido Liberdade e da Justiça", disse o diplomata à Reuters, referindo-se ao partido da Irmandade, fundado após a derrubada de Mubarak.

O diplomata disse que as autoridades dos EUA não fazem uma distinção entre membros da Irmandade ou seu partido. "Nós não temos uma política que faz uma distinção, que um ou o outro está fora de seus limites", ele disse.

O presidente do Partido Liberdade e Justiça, Mohamed Mursi, disse ao jornal egípcio Al-Dostour na semana passada que autoridades dos EUA não tinham feito contato desde a mudança na política. Falando à Reuters no domingo, o vice-diretor do partido Essam el-Erian também negou qualquer reunião com autoridades dos EUA quando questionado sobre os comentários do diplomata.

Em junho, Washington anunciou os planos de iniciar conversas com a Irmandade, minimizando a intenção como a continuidade de uma antiga política. Analistas, no entanto, afirmam ser uma nova abordagem em relação à forma como o país lidou com um grupo que Mubarak proibiu de fazer política.

As negociações podem desagradar Israel e seus partidários nos Estados Unidos. A Irmandade renunciou à violência como meio para alcançar mudanças políticas no Egito. Mas grupos como o Hamas, que não renunciaram à violência, olham para a Irmandade como um guia espiritual.

De acordo com as diretrizes anteriores, diplomatas dos EUA estavam autorizados a negociar com membros da Irmandade no parlamento, que haviam sido eleitos como "independentes" para contornar a proibição oficial. Isso seria artifício diplomático para manter as linhas de comunicação abertas com o grupo.

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