EUA terão meta de redução de 17%

É a 1.ª vez em anos que país assume compromisso sobre emissões de CO2; Obama anunciou que irá a Copenhague

Patrícia Campos Mello, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

26 de novembro de 2009 | 00h00

Os Estados Unidos vão apresentar na reunião de Copenhague uma meta de redução de 17% das emissões de CO2 até 2020, em relação ao nível de 2005. Depois de dar a entender, na semana passada, que não assumiria compromissos climáticos e recuar, o presidente Barack Obama, agora, anunciou que irá pessoalmente à Conferência do Clima da ONU. É a primeira vez em mais de uma década que o país se compromete com metas de redução de gases que provocam o aquecimento global.

O governo Bush se opunha a metas numéricas acordadas em reuniões multilaterais e só concordava com objetivos voluntários estipulados por cada país. E o Congresso americano nunca ratificou o Protocolo de Kyoto (assinado em 1997), que prevê redução de emissões para países industrializados. "É muito positivo e vai ajudar nas negociações", disse Manuel Oliva, diretor de política ambiental nos EUA da organização Conservation International.

Críticos apontam, porém, que a meta é pouco ambiciosa e reclamam do fato de Obama só ir a Copenhague no início da reunião e não no fim dela, quando os outros líderes chegarão para concluir a negociação.

Em Copenhague, Obama vai anunciar que os EUA pretendem reduzir as emissões "em torno de" 17% até 2020, com relação ao que emitia em 2005. Até 2050, o corte seria de 83%. Esses números são semelhantes aos que estão na proposta de lei que tramita no Congresso e que deve ser votada em 2010.

A proposta equivale a uma redução de 3% a 6% se comparada ao que o país emitia em 1990, que é o ano-base para cálculo de metas no Protocolo de Kyoto. A União Europeia, por exemplo, prometeu cortar em 20% suas emissões até 2020, em relação a 1990. "O presidente teve de propor uma meta que pode ser corroborada pelo Congresso. E eu estou otimista, não vejo uma repetição de Kyoto", disse Oliva.

Para Andreas Carlgren, ministro do Meio Ambiente da Suécia, Obama aumentou as expectativas para Copenhague. Mas disse preferir que o americano estivesse na reunião nos dias em que as decisões serão efetivamente tomadas. "Não adianta ir só para posar para a foto", disse um porta-voz internacional do Greenpeace. "Obama precisa estar lá ao mesmo tempo que os outros líderes internacionais. Ele estará na cidade certa, na data errada."

Mesmo com a nova proposta, autoridades da Casa Branca admitem que não há garantias de que a Lei Climática conseguirá ser aprovada no Congresso. E sem isso, as metas propostas politicamente por Obama não poderão ser concretizadas. Um fato que poderia influenciar o Congresso americano seria se China e Índia adotassem metas concretas de redução de emissões - esse foi um dos principais pontos que levou à rejeição de Kyoto pelos legisladores.

Legisladores republicanos dizem que os EUA não podem se comprometer unilateralmente com cortes de emissões, sob o risco de a indústria americana perder competitividade para China e Índia, se esses países não adotarem metas.

Até agora, nem China nem Índia se comprometeram com planos quantificados de redução de emissões. O Brasil anunciou o compromisso de reduzir suas emissões entre 36,1% e 38,9% em relação ao que o País emitiria em 2020, se nada fosse feito. A meta consta em projeto de lei aprovado ontem no Senado que institui a política nacional sobre mudança do clima, com emenda que obriga o governo a editar decreto com os detalhes das ações que serão tomadas. Como o projeto foi modificado no Senado, ele volta agora para a Câmara.

PROPOSTAS DOS PAÍSES PARA 2020

Estados Unidos: Se a meta norte-americana for comparada às emissões de 1990, a redução ficará entre 3% e 6%

União Europeia: A meta vai de 20% a 30% em relação a 1990, dependendo da ambição dos países de fora do bloco no acordo

Brasil: Se cumprir a meta, haverá um aumento de 21% em relação ao que o País emitia em 1990

Noruega: Propôs a mais ambiciosa até agora: corte de 40% das emissões em relação a 1990

Suíça: Reduzirá entre 20% e 30% as emissões, em relação ao ano de 1990

Rússia: A meta do país pode chegar a uma diminuição de até 25% em relação às emissões de 1990

Nova Zelândia: Fará corte de 10% a 20% nas emissões, com base em 1990

Japão: Anunciou meta de cortar 25% suas emissões em relação a 1990

Islândia: Tem como meta reduzir em 15% suas emissões sobre 1990

Ucrânia: Deve propor um porcentual de redução de emissões de 20% em comparação com 1990

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