EUA tiram China da categoria de 'piores' em direitos humanos

Americanos mantêm críticas, mas reduzem classificação de país sede das Olimpíadas.

Bruno Garcez, BBC

11 de março de 2008 | 21h15

A China deixou de constar da categoria de países com piores índices de direitos humanos no relatório divulgado nesta terça-feira pelo Departamento de Estado americano.Na edição divulgada nesta terça, que traz dados relativos a mais de 190 países em 2007, o governo americano afirma que a situação dos direitos humanos na China ainda é precária, mas excluiu o país da relação de países ''em que o poder permanece concentrado nas mãos de líderes sobre os quais não há qualquer controle''. O país asiático passou a ser incluído na lista das "nações autoritárias que estão passando por reformas econômicas e que viveram rápidas mudanças sociais, mas não adotaram reformas políticas e continuam a negar aos seus cidadãos direitos humanos básicos e liberdades fundamentais".Entre as nações consideradas pelo governo americano como "os mais graves violadores sistemáticos de direitos humanos" estão Coréia do Norte, Mianmar, Irã, Síria, Zimbábue, Cuba, Belarus, Uzbequistão, Eritréia e Sudão.'Derrota'O Departamento de Estado descartou que a exclusão da China da categoria mais grave tenha sido um gesto de boa vizinhança com o país que sedia as Olimpíadas deste ano.De acordo com o governo americano, a inclusão da China em uma categoria distinta foi, na verdade, uma forma de destacar que, ao contrário do que reza o senso comum, as reformas econômicas vividas pela China não vieram atreladas a mais liberdades econômicas.O documento do Departamento de Estado afirma que o governo chinês continua a ''monitorar, assediar e prender ativistas, escritores, jornalistas e advogados de defesa e suas famílias, muitos dos quais tentam exercer seus direitos dentro da lei''.A organização não-governamental Repórteres sem Fronteiras disse que a decisão americana ''representa uma derrota para organizações de direitos humanos'' que estão tentando exercer pressão sobre o governo chinês no ano em que o país sediará os Jogos Olímpicos.''A situação na China não é, claro, comparável com a da Coréia do Norte ou a da Eritréia, mas a decisão de Washington acontece no pior momento possível, justamente quando a situação está piorando, pouco antes da abertura das Olimpíadas'', afirmou a representação americana do Repórteres sem Fronteiras.América LatinaAlém de Cuba, classificada como um país que ''permaneceu sob controle totalitário sob o presidente interino Raúl Castro'' e um regime que seguiu ''negando aos seus cidadãos direitos básicos e liberdades democráticas, inclusive o de mudar o seu governo'', o documento traz críticas ao governo venezuelano.De acordo com o governo americano, ''na Venezuela, os esforços de um líder democraticamente eleito (o presidente Hugo Chávez) em minar as instituições democráticas e intimidar a sociedade civil foram respondidos com vigorosa resistência''. Já em relação à Colômbia, um dos principais aliados americanos no Cone Sul, o documento afirma que '''os passos tomados pelo governo colombiano para aprimorar os direitos humanos e situação de segurança demonstraram resultados''.O Departamento de Estado americano ainda elogiou o governo da Argentina por ter dado continuidade a processos ligados aos assassinatos e desaparecimentos cometidos no país durante o governo militar.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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