Europa anuncia investimento de 1 bilhão em projetos científicos

Iniciativas que estudam o cérebro humano e o material mais fino do mundo venceram competição tecnológica

BRUXELAS, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2013 | 02h05

Dois projetos científicos europeus, um que oferece um mapa detalhado do cérebro humano e outro que investiga os possíveis usos de um material ultrafino, foram os vencedores de uma competição tecnológica no continente, cujos resultados foram divulgados ontem.

Os projetos, selecionados dentre um total de 26, receberão o investimento de 1 bilhão (R$ 2,7 bilhões) durante os próximos dez anos.

"A posição da Europa como um centro científico mundial depende da inovação e do aproveitamento das melhores ideias", afirmou, em nota, a vice-presidente da Comissão Europeia, Neelie Kroes. No texto, ela completou que a competição "recompensa as inovações científicas originadas no continente e demonstra que, com a ambição, podemos desenvolver as melhores pesquisas na Europa".

Um dos vencedores, chamado de Projeto do Cérebro Humano, usará computadores mil vezes mais potentes que os atuais para elaborar o modelo mais detalhado já feito do órgão. Esse modelo deve ser capaz de simular os efeitos de certos medicamentos, para atender ao objetivo de melhorar os conhecimentos sobre as doenças neurológicas.

Além disso, a compreensão do funcionamento do cérebro - ou seja, como esse órgão consegue lidar com bilhões de impulsos neurológicos e trilhões de sinapses - poderia levar "a uma mudança de paradigmas para o setor da computação", afirmou a Comissão Europeia, também por meio de nota. "O impacto econômico e cultural dessa transformação poderia ser enorme", completou o texto.

O líder desse projeto, Henry Markram, professor de neurociência da Escola Politécnica Federal de Lausanne, na Suíça, havia afirmado, poucos dias antes de receber o prêmio, de que a iniciativa não seria possível sem esse tipo de financiamento. "Nem a indústria farmacêutica nem as empresas de informática pagariam por esse estudo. E se trata de uma ciência fundamental. Trata-se de um projeto que necessita de financiamento público", ressaltou.

O outro projeto estuda os usos do grafeno, o material mais fino do mundo, que conduz eletricidade melhor que o cobre, é até 300 vezes mais forte que o aço e contém propriedades óticas singulares. Sua grossura é de um átomo e ele é considerado o primeiro material bidimensional. / AP

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