Europeus fazem greves e protestos contra medidas de austeridade

Dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas de toda a Europa na quarta-feira, protestando contra as medidas de austeridade que, segundo os sindicatos, irão desacelerar a recuperação econômica e punir os mais pobres.

DAVID BRUNNSTROM, REUTERS

29 de setembro de 2010 | 17h08

Houve grandes manifestações em Bruxelas, onde fica a sede da União Europeia, e nas cidades portuguesas de Lisboa e Porto. Na Espanha, uma greve geral afetou parcialmente os transportes e a indústria.

Em dez outras capitais europeias também aconteceram protestos contra cortes de gastos públicos e reformas trabalhistas e previdenciárias, promovidas por vários governos para reduzir seu déficit e seu endividamento.

Em Bruxelas, os sindicatos disseram ter alcançado sua meta de levar 100 mil pessoas às ruas, embora a polícia tenha estimado a multidão em 56 mil, e detido 218 manifestantes por causa de pequenos incidentes.

Os sindicatos disseram ter reunido 50 mil pessoas em Lisboa e 20 mil no Porto. A polícia não divulgou estimativas.

"Este é o começo da nossa luta, não o final. Que nossa voz seja ouvida é a nossa grande exigência hoje - contra a austeridade e pelos empregos e o crescimento", disse John Monks, presidente da Confederação Europeia de Sindicatos, numa manifestação perto da sede da UE, que parou parte da capital belga.

Parte da ira dos manifestantes se dirigia contra o fato de o governo ter usado bilhões de euros para salvar bancos, enquanto os cidadãos comuns têm de aceitar os cortes de gastos públicos. Um grupo caracterizado como "banqueiros bandidos" (ternos pretos e máscaras pretas) abria a passeata, caracterizada como um cortejo fúnebre para a Europa.

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, disse a jornalistas que a UE está ciente da "reação social em cadeia", mas que os governos não veem alternativa às medidas impopulares.

Economistas julgam que as manifestações não irão fazer os governos recuarem.

"Acho que no momento elas não são uma ameaça tão grande", disse David Lea, analista de Europa Ocidental da consultoria Control Risks, à TV Reuters Insider. "E acho que há uma admissão de que muitas dessas medidas de austeridade simplesmente vão acontecer, e que eles não conseguiram afastar o governo disso."

Muitos trabalhadores, no entanto, consideram que estão sendo punidos por um problema que não causaram. "Entendemos que há uma crise, mas ela está sendo usada como um ótimo pretexto para todos os tipos de pressão sobre as pessoas que são empregadas, trabalhadores, e não as grandes empresas", disse Alexander Nikolov, que foi de carro da Bulgária a Bruxelas para protestar.

Na quarta-feira ocorreram manifestações também em Dublin, Roma, Paris, Riga, Varsóvia, Nicósia, Bucareste, Praga, Vilna, Belgrado e Atenas. Na Eslovênia, uma greve com adesão de cerca de metade do funcionalismo público chegou ao seu terceiro dia.

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