Eutanásia de mulher que vegeta há 17 anos divide Itália

Sociedade discute o 'direito de morrer' e, em muitos setores, exige uma legislação ao respeito

Efe

14 Novembro 2008 | 15h35

A decisão do Tribunal Supremo de autorizar a supressão da alimentação a Eluana Englaro, uma mulher de 37 anos que se encontra em estado vegetativo há 17, aprofunda a divisão sobre a eutanásia na sociedade italiana que, em muitos setores, exige uma legislação ao respeito.   Veja também:  Mulher italiana em coma deixará de receber alimento   Enquanto Giuseppe Englaro, pai de Eluana, levará discretamente sua filha a uma clínica em Udine (norte) para que se execute a decisão pela que lutava há uma década, Igreja Católica e cientistas, políticos conservadores e liberais, e o resto da opinião pública, mostram hoje as profundas divisões sobre o "direito a morrer".   As divergências inundam as ruas italianas e os fóruns de discussão na internet, onde alguns expressam "solidariedade" com o pai de Eluana e uma vitória do "Estado de Direito" e outros acusam "violação da liberdade de uma pessoa que não se pode expressar".   "Deixar de alimentar Eluana equivale a um homicídio, significa condená-la a um fim monstruoso (...). O direito à morte não existe, a vida é sagrada", expressou assim a posição da Igreja Católica o "ministro da Saúde" do Vaticano, cardeal Javier Lozano Barragán, em entrevista publicada nesta sexta-feira, 14, pelo jornal La Stampa.   No mesmo jornal, o ex-ministro da Saúde e oncologista Umberto Veronesi afirma que a sentença "é uma vitória dos princípios da Constituição e uma demonstração de valor e coerência dos juízes".   Veronesi ponderou, entretanto, que o caso de Eluana não é "eutanásia" já que a paciente não pediu a interrupção da vida e aponta à necessidade, para que não se repitam tragédias como esta, de uma lei que preveja o testamento vital.   Alheias às polêmicas, as freiras que desde 1994 se ocupam de Eluana pediram nesta sexta-feira, 14, em uma nota que a deixem a seu cuidado na clínica de Lecco, próxima a Milão. "Há quem a considera morta, mas nós a sentimos viva", argumentam as religiosas.   O Vaticano disse nesta sexta-feira, 14, que a decisão de não alimentar mais Eluana significa a legalização "de fato" da eutanásia na Itália.   "A decisão sobre Eluana Englaro - que significa, como as pessoas de autoridade têm dito - a introdução de fato da eutanásia na Itália - constituí uma derrota para todos, não apenas para o mundo católico", disse o jornal do Vaticano, L'Osservatore Romano.   O jornal disse que em debates "sobre questões de vida e morte, a igreja, acima de todos, ainda exerce alguma influência."   "A tradição católica oferece alguma luz para a tomada de decisões em casos complicados como esses - no valor da vida humana da concepção à morte natural, em quaisquer condições que se viva", disse o jornal.   Atualizda às 19h21 para acréscimo de informações

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