Evasão de estudantes da USP Leste cresce e atinge recorde de 37%

A Escola de Artes, Ciências e Humanidades (Each) da Universidade de São Paulo - a USP Leste - nunca perdeu tantos alunos como em 2011. A unidade registrou evasão de 37% no ano passado. Desde 2005, ano em que as primeiras turmas pisaram no câmpus, 20% dos matriculados já desistiram dos cursos oferecidos na unidade.

PAULO SALDAÑA, O Estado de S.Paulo

13 Maio 2012 | 03h05

Até o ano passado, 1.424 estudantes da USP Leste já haviam abandonado as graduações. Destes, 374 alunos saíram somente em 2011 - registrando o resultado recorde. O índice é bem superior à média da USP. A universidade não divulgou o dado mais recente, mas os últimos resultados disponíveis indicam um índice próximo a 20%.

Se comparada com a média nacional, a situação é também preocupante. As universidades públicas do Brasil têm evasão de 14,4%. As instituições privadas perdem menos alunos: 24,2%, segundo o último dado disponível.

A direção da unidade vê os dados com preocupação, mas reforça a diferença de cada curso, defendendo que não se trata de uma crise da USP na zona leste. "O resultado não é bom, não nos satisfaz. Mas os cursos têm evasão diferente uns dos outros. Há cursos com ótimos resultados", diz o diretor da Each, Jorge Boueri. "Os motivos têm de ser trabalhados em cada curso."

A evasão atinge os cursos de forma desigual. A graduação em Marketing, por exemplo, teve uma evasão média de apenas 11% desde 2005 - apesar de o índice estar crescendo. No ano passado, a taxa foi de 22% em relação ao número de vagas.

Apenas um curso, o de Ciências da Atividade Física, conseguiu reverter em 2011 a debandada de alunos. Mas ainda não há muito a comemorar: o índice nesse curso caiu de 52%, em 2010, para 32% - que ainda é alto.

Causas. A USP Leste foi criada com dez graduações, todas não tradicionais e com uma proposta curricular inovadora. Até 2008, a evasão média não passava de 12%. Mas, exatamente após 2009, ano em que os primeiros formados chegaram ao mercado de trabalho, esse índice disparou e só tem aumentado. Além disso, a maioria dos cursos ainda é pouco conhecida pela população e há uma dificuldade em inserir formados de certas carreiras no mercado.

As causas da evasão são variadas, com diferenças também de curso para curso. Mas a falta de conhecimento sobre os cursos, combinada com a baixa concorrência no vestibular da Fuvest, tem seu reflexo: 60% dos alunos que saíram da USP Leste nem chegaram a frequentar as aulas ou encerraram matrículas antes de cursarem 20% dos cursos.

Uma parcela significativa de matriculados também acaba saindo da unidade por transferências. Desde a inauguração da Each, 15,5% dos matriculados migraram para outros cursos - o que corresponde a 224 estudantes. A unidade ganhou apenas 164 alunos de fora.

O curso que mais perdeu alunos por transferência foi a Licenciatura em Ciências da Natureza, exatamente o que tem a menor concorrência no vestibular - de apenas 1,53 candidato por vaga na última Fuvest (mais informações nesta página).

Segundo Boueri, o plano de obras da unidade, revelado na semana passada pelo Estado, vai colaborar com a permanência dos estudantes.

"Claro que o ambiente da unidade faz diferença para o aluno que estuda. Mas com o projeto de expansão da unidade e aproximação com a comunidade, vai ter mais alunos com perfil para permanecer nos cursos até o fim", completa.

Críticas. Para o diretor do cursinho popular Henfil, Matheus Prado, a forte evasão prejudica o projeto. "Os cursos têm problemas, as pessoas não conseguem vagas no mercado. Ano passado, tentaram diminuir um terço das vagas e esse debate vai voltar", critica. "A USP Leste ainda é diferente das outras unidades."

Para a estudante Giulia Tadini, de 22 anos, uma das diretoras do Diretório Central dos Estudantes (DCE), a questão da permanência dos estudantes tem papel central na piora dos dados.

"Muitos estudantes largam porque não têm auxílio, não têm moradia estudantil, e a maioria não é da zona leste", diz Giulia. Apesar de a maior parcela de estudantes ser de outras regiões, a Each conseguiu reverter parcialmente o quadro de distanciamento da comunidade: quase 40% dos novos alunos moram nessa região da cidade.

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