Evento climático nos EUA reúne maiores poluidores do mundo

Reunião foi convocada por Bush, criticado por sua recusa em aceitar limites para as emissões de CO2

Deborah Zabarenko , Reuters

27 de setembro de 2007 | 14h09

Os maiores emissores mundiais de gases causadores do efeito estufa, incluindo o Brasil, participam na quinta e sexta-feira de uma discussão no Departamento de Estado dos EUA sobre o que fazer contra o aquecimento global.                                   O evento foi convocado pelo presidente George W. Bush, cujo governo é criticado por sua recusa em aceitar limites compulsórios para as emissões de gases do efeito estufa, especialmente o dióxido de carbono. A Casa Branca defende metas "aspiracionais".                                   Além de EUA e Brasil, também participam do evento União Européia (UE), França, Alemanha, Itália, Reino Unido, Japão, Canadá, Índia, Coréia do Sul, México, Rússia, Austrália, Indonésia e África do Sul.                                   Na segunda-feira, na ONU, mais de 80 chefes de Estado e de governo haviam se encontrado para discutir o mesmo tema. No encerramento, o secretário-geral Ban Ki-Moon afirmou ter sentido "um grande compromisso político" na busca por soluções durante a conferência climática da ONU em dezembro em Bali (Indonésia).                                   Tanto na ONU quanto antes do evento em Washington, os enviados e parlamentares presentes pediram que os EUA assumam a liderança no combate ao aquecimento.                                   "A liderança dos EUA na área da mudança climática é essencial, não só porque se trata de um grande emissor de gases do efeito estufa, mas porque os EUA estão na ponta do desenvolvimento de soluções tecnológicas e em levá-las para o mercado global", disseram os representantes especiais da ONU para questões climáticas, Gro Harlem Brundtland, Ricardo Lagos Escobar e Han Seung-soo, em entrevista no Capitólio de Washington.                                   Vários parlamentares norte-americanos escreveram a Bush apontando "a necessidade de reduções reais na poluição (que causa) o aquecimento global, não metas aspiracionais".                                   A discussão de Washington não configura uma negociação climática formal, e sim um espaço para a troca de opiniões sobre gases do efeito estufa, segurança energética, desenvolvimento e comercialização de tecnologias e formas de financiamento - além de uma sessão de um dia inteiro, a portas fechadas, sobre "processos e princípios para estabelecer uma meta de longo prazo" contra as emissões.                                   Já a reunião de dezembro em Bali servirá para que comece a ser discutido um tratado que vigore após 2012, quando expira o Protocolo de Kyoto, que estabelece metas compulsórias para a redução de emissões de carbono em países desenvolvidos. Os EUA abandonaram o Protocolo de Kyoto alegando que ele prejudica sua economia e deveria impor metas também a grandes países em desenvolvimento, como China e Índia.

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