Evo consolida ''refundação boliviana''

Com poder reforçado e oposição enfraquecida, ex-sindicalista deve vencer com facilidade eleição de hoje

Adriana Moreira, O Estadao de S.Paulo

06 Dezembro 2009 | 00h00

Quase quatro anos depois de sua eleição para a presidência da Bolívia, o ex-líder cocaleiro Evo Morales deve dar hoje um dos mais importantes passos para a consolidação de seu projeto de "refundar o país" por meio de uma nova Constituição. Com uma popularidade cada vez maior - consequência de um período econômico favorável e de programas sociais dirigidos à camada da população localizada abaixo da linha de pobreza -, Evo deve vencer a eleição presidencial de hoje e liquidar a fatura ainda no primeiro turno. As últimas pesquisas atribuem a ele 55% das intenções de voto, enquanto o segundo colocado, Manfred Reyes Villa, tem 18%.

"A pergunta não é se ele vai ganhar, mas por quanto ele vai ganhar e se conseguirá a maioria de dois terços", diz o analista político Gonzalo Chávez, professor da Universidade Católica Boliviana. Para ele, porém, a vitória de Evo significará uma política de acúmulo de poder e um modelo econômico estatista. Seguindo a fórmula traçada por seu grande aliado na região - o presidente venezuelano, Hugo Chávez -, Evo fez aprovar em janeiro uma Carta que reforçou os poderes do Executivo e isolou a oposição no Legislativo .

"A fraqueza da oposição põe em risco a democracia. Com a nova Carta, Evo tem um poder cada vez maior", explica. "Creio que será um período de instabilidade institucional simbólica", afirma o cientista político da Universidade Mayor de San Andrés Carlos Cordero, referindo-se à prevalência do Executivo sobre os demais poderes. O ex-líder sindicalista que se tornou o primeiro indígena eleito para a presidência boliviana deve obter a votação necessária para evitar a realização de um segundo turno. Além do presidente da república, os bolivianos escolhem também hoje os 36 senadores e 130 deputados federais. O governo espera que o Movimento ao Socialismo (MAS), partido de Evo, conquiste maioria de dois terços nas duas Casas (mais informações nesta página).

A campanha eleitoral pareceu deixar para trás a radicalização que marcou a política boliviana desde o começo da década - período durante o qual o país teve seis presidentes - e dividiu profundamente a sociedade local. Mas a hostilidade social ainda está presente no discurso do governo e da oposição.

Evo vê seus adversários como uma elite racista que tenta derrubá-lo enquanto se apega a seus privilégios e nega à população indígena participação nos recursos naturais do país. A oposição, por seu lado, acusa o presidente de forçar a divisão racial no país e de ser um fantoche de Hugo Chávez. Evo é acusado ainda de ter levado o país à beira da guerra civil ao resistir à aspiração de autonomia de Santa Cruz, a mais rica região do país.

A repórter viajou a convite da Fundación Nuevo Norte e Comité de Promoción Turística de La Paz

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