Evo Morales pede 'unidade nacional' em fala a militares

Presidente boliviano faz 'chamado' a 11 dias de referendo por autonomia em Santa Cruz

Marcia Carmo, BBC

25 de abril de 2008 | 06h10

O presidente da Bolívia, Evo Morales, pediu nesta quinta-feira, 25, em um discurso a militares, a "defesa da unidade nacional", a onze dias do referendo por autonomia regional que será realizado no Departamento (Estado) de Santa Cruz. "Faço um chamado a todo o povo boliviano, incluindo as Forças Armadas, a defender a unidade do país", disse Evo, segundo a Agência Boliviana de Informação (ABI, que é oficial).  Veja também:  Evo congela contas fiscais de Santa Cruz  Evo falou ao participar de uma cerimônia que marcou o aniversário da escola naval, em La Paz. De acordo com a ABI, Evo disse que a Bolívia é um país que "por vontade divina" conta com "grandes reservas de hidrocarbonetos, minerais e recursos hídricos". E declarou: "Quero dizer, comandantes, que continuo impressionado com os recursos naturais que o povo boliviano tem, nesta mãe terra. E nossa obrigação é defender a unidade do país". Mais tarde, em outro discurso, em Santa Cruz de la Sierra, ainda segundo a ABI, ele afirmou que a igualdade social só será possível quando houver unidade entre políticos, Forças Armadas, Polícia e Justiça e quando forem "julgados" os que "atentam contra a economia, a unidade e a integridade do Estado boliviano". Em dezembro passado, quatro dos nove Departamentos do país apresentaram publicamente seus estatutos de autonomia que, em tese, argumenta-se no governo e também na oposição, funcionaria como uma Constituição paralela à da administração central. Estes quatro Departamentos da chamada "meia lua" (Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija) são os mais ricos da Bolívia, com hidrocarbonetos e terras férteis, com plantações de soja, por exemplo. Essas regiões desejam ter autonomia financeira, entre outras coisas, o que tem gerado discussões públicas com o governo de Evo Morales. E o referendo seria uma forma de ratificar a iniciativa. Além de Santa Cruz, reduto da oposição, Tarija também marcou data para o plebiscito, dia 22 de junho. A discussão envolve recursos gerados pelo gás e petróleo. Nesta semana, a OEA (Organização dos Estados Americanos) fez um apelo para que governo e oposição - liderada pelo prefeito de Santa Cruz de la Sierra, Ruben Costas, pelo partido Podemos e pelo chamado Comitê Cívico - negociem uma saída para o impasse. "Quanto mais se demore a começar esse diálogo, maiores serão os riscos e por isso insistimos que esse diálogo comece já", disse o secretário geral da OEA, José Miguel Insulza. O enviado do organismo à Bolívia, Dante Caputo, secretário de assuntos políticos da OEA, foi mais enfático: "A possibilidade de que a tensão se transforme em conflito é certa e a possibilidade de que o conflito vire violência também". Ele pediu negociação antes que as diferenças acabem sendo "pagas com vidas humanas". Além da OEA, nos últimos tempos, outras autoridades políticas internacionais estiveram na Bolívia, a pedido do presidente Evo, tentando ajudá-lo a superar as diferenças com a oposição.  BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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