Evolução explica por que mulheres vivem mais que homens

A despeito dos esforços de cientistas para encontrar fatores da vida moderna que expliquem as diferentes expectativas de vida de homens e mulheres, a distância é, na verdade, antiga e universal, de acordo com pesquisadores da Universidade de Michigan. "Mulheres vivem mais em praticamente todos os países, e a diferença que o sexo tem na expectativa de vida é reconhecida desde meados do século 18", disse Daniel J. Kruger, pesquisador da Faculdade de Saúde Pública da Universidade. "Não se trata de uma tendência recente: origina-se nas profundezas de nossa história evolucionária".Esse favoritismo das fêmeas sequer é único da humanidade: machos morrem mais cedo entre chimpanzés e muitas outras espécies, acrescenta Kruger. Juntamente com o co-autor Randolph Nesse, Kruger argumenta que a diferença vem do imperativo evolucionário de atrair parceiros para a reprodução."O padrão é fruto da seleção sexual e dos papéis que machos e fêmeas desempenham na reprodução", disse Kruger. "Fêmeas investem mais nos filhotes que os machos, e têm um potencial menor para produzir filhotes, e por isso os machos geralmente competem entre si para atrair e manter parceiras".Da cauda do pavão ao carrão importado, os machos competem agressivamente pela atenção das fêmeas, e isso tem um preço. Na natureza, o resultado é uma fisiologia e um comportamento mais perigosos para os machos, como investir energia em plumas coloridas ou envolver-se em combate físico.Mesmo no mundo moderno, onde a maioria dos combates físicos é de eventos esportivos, o comportamento e a fisiologia masculinos reduzem a expectativa de vida do macho. De acordo com Kruger, a vida moderna vem exacerbando a diferença entre os sexos.A fisiologia masculina, moldada por milênios de competição sexual, deixa os homens em desvantagem: o sistema imunológico masculino é mais fraco, e o corpo do homem não é tão bom para processar gordura. Já as causas comportamentais - fumo, direção perigosa, violência - são mais comuns entre os homens. "Como as taxas de mortalidade tendem a cair, a morte provocada por comportamentos de risco ganha prevalência", disse Kruger.O artigo An evolutionary life-history framework for understanding sex differences in human mortality rates será publicado na edição de primavera da revista Human Nature.

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