Ex-chefe do BC da Itália é condenado a 3 anos e meio de prisão

Um tribunal italiano sentenciou nesta segunda-feira o ex-presidente do banco central da Itália, Antonio Fazio, a três anos e meio de prisão por manipulação do mercado durante uma batalha de aquisição do Banca Nazional del Lavoro (BNL), em 2005.

REUTERS

31 de outubro de 2011 | 12h00

Fazio, de 75 anos, já havia recebido pena de prisão por um caso semelhante. Seis anos atrás ele foi forçado a renunciar ao cargo de presidente do Banco da Itália depois que pareceu ter favorecido propostas de empresas nacionais em detrimento de rivais estrangeiras que tentavam comprar bancos italianos.

No entanto, Fazio continuou em liberdade porque uma lei italiana prevê que os réus não podem começar a cumprir pena enquanto sua última apelação não for avaliada pela Justiça.

Uma corte de Milão ordenou nesta segunda-feira que Fazio pague multa de 1,3 milhão de euros por seu papel no caso envolvendo a proposta, não vencedora, da seguradora Unipol para aquisição da BNL.

Ele presidiu o Banco da Itália de 1993 a 2005 e depois foi substituído por Mario Draghi, que na terça-feira assumirá o posto de presidente do Banco Central Europeu (BCE).

"O sr. Fazio não pode compreender a razão para este veredito," disse a repórteres o advogado dele, Roberto Borgogna, depois da audiência. "Havia documentos mostrando que o que ele fez foi certo," afirmou.

A Unipol, que teve que pagar uma multa de 720.000 euros, possuía participação no BNL e lançou uma oferta pelo banco em 2005, mas se viu envolvida em uma disputa de aquisição com o espanhol Banco Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA). O francês BNP Paribas acabou comprando o BNL por 9 bilhões de euros em 2006.

O tribunal também sentenciou o ex-presidente do conselho da Unipol Giovanni Consorte a três anos e 10 meses de prisão, além de uma multa de 1,3 milhão de euros. Consorte vai apelar do veredito, disse o advogado dele.

Todos os réus terão que pagar um total de 15 milhões de euros em danos ao BBVA.

Os bancos italianos Banca Popolare Vicenza e Banca Carige, junto com o alemão Deutsche Bank, foram liberados das acusações dentro da lei italiana que torna as empresas responsáveis por falhas em supervisão.

Em maio, Fazio foi condenado a quatro anos de prisão por acusações de manipulação de mercado relacionadas a outra disputa de aquisição de 2005 pelo italiano Banca Antonveneta, que atualmente faz parte do Monte dei Paschi di Siena. Fazio disse que iria apelar da sentença.

(Reportagem de Manuela D'Alessandro)

Mais conteúdo sobre:
ITALIAEXCHEFEBCPRISAO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.