Ex-diretor: ''Mandei apurar''

Ele afirma que não era responsável pelas contas

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

30 de novembro de 2009 | 00h00

O delegado Ruy Estanislau Silveira Mello disse que nenhum dos pagamentos feitos à Cordeiro Lopes passaram por suas mãos. Segundo ele, era responsabilidade dos diretores das 344 Circunscrições Regionais de Trânsito (Ciretrans) fiscalizar as prestações de contas das empresas que emplacavam os carros antes de encaminhar o documento ao Detran.

No departamento, a prestação de contas - caso viesse de uma Ciretran do interior ou da Grande São Paulo - passava pela Divisão do Interior e pelos gestores dos contratos - policiais nomeados para fiscalizá-los. Ao todo existem dez contratos de emplacamento. Nove deles são da Cordeiro Lopes, que cuida de todo o Estado, exceto a capital, que ficou com a empresa Centersystem - o Estado a procurou, deixou recado, mas ninguém se manifestou.

Depois de aprovadas pelos gestores, as contas, segundo Mello, eram enviadas à Divisão de Administração do Detran, que ordenava os pagamentos. "Elas não passavam pelo diretor." Mello disse que não foi o responsável pela licitação e assinatura dos contratos. Isso foi feito em 2006 na gestão do delegado Ivaney Cayres de Souza. O Estado procurou Cayres, mas ele não se manifestou. Segundo sua assessoria de então, os contratos foram aprovados pelo Tribunal de Contas do Estado e tiveram parecer jurídico favorável da Procuradoria do Estado.

Mello prorrogou duas vezes os contratos. "Mandei apurar as denúncias que chegaram ao meu conhecimento. Informei tudo aos meus superiores, mas não podia rescindir os contratos enquanto a apuração não terminasse." Ele disse que uma nova licitação estava pronta para ser feita quando ele saiu do Detran em outubro. "Entreguei o cargo ao secretário (Antônio Ferreira Pinto). Não aguentava mais. Ele me ofereceu outro departamento. Recusei."

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