Ex-diretora do Municipal culpa secretaria por licitação

Compra de instrumentos é investigada pelo MPE, que aponta sobrepreço de duas vezes e meia o valor

Edison Veiga e Vitor Hugo Brandalise, O Estado de S. Paulo

24 de março de 2009 | 10h03

A ex-diretora técnica do Teatro Municipal de São Paulo Isleyd Pereira Smarzaro, alvo de investigação do Ministério Público Estadual (MPE) e do Departamento de Procedimentos Disciplinares (Proced) da Prefeitura na compra de instrumentos musicais, acusou a Secretaria Municipal de Cultura de se omitir no caso. "Só assinei os papéis autorizando a compra. Antes disso, o processo passou por uma comissão de licitação, pela área jurídica da Secretaria, e ninguém apontou nada", alegou, em entrevista ao Estado na tarde de segunda. "Nem tenho parâmetros para avaliar valores de instrumentos musicais. Para mim, como dirigente, foi uma licitação normal, como tantas outras da minha gestão."

 

Conforme o Estado revelou na segunda-feira, 24, a licitação - ocorrida em 13 de novembro de 2007 para a compra de oito instrumentos para o Municipal no valor total de R$ 226.779 - está sob investigação do Proced e do MPE, cujos relatórios apontam sobrepreço total de duas vezes e meia o valor de mercado. Além de Isleyd, são suspeitos o microempresário e músico Leônidas Júnior de Souza Faria, ex-arquivista do Municipal e cuja firma ganhou a licitação; e o funcionário público Clésio André de Melo. Há ainda dúvida quanto a origem dos instrumentos, uma vez que Faria não apresentou notas fiscais que comprovem a legalidade da importação.

 

A ex-diretora - ficou no cargo entre abril de 2007 e fevereiro de 2008 - negou ter conhecimento de que um funcionário do Municipal era proprietário da empresa vencedora da licitação. "São muitos funcionários, pilhas de papéis em cima da mesa. Não há tempo para analisar tudo." Em agosto de 2007, Faria também forneceu instrumentos ao Municipal, no valor total de R$ 48.600.

 

O secretário de Cultura, Carlos Augusto Calil, afirmou ao Estado que acredita em "conluio entre os dois (Faria e Melo) para viciar o processo de licitação" e eximiu a ex-diretora de culpa. "Talvez eles (o MPE e o Proced) tenham elementos que eu não tenho. Pessoalmente, não acredito no envolvimento dela", disse. O processo corre em paralelo no MPE e no Proced. Entre 30 de março e 7 de abril, o órgão municipal ouvirá outras nove pessoas - incluindo a mãe do ex-arquivista, Regina Célia de Souza Faria, funcionária do setor de informática do Municipal.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.