Ex-fumantes ainda têm risco de câncer de pulmão, diz pesquisa

Estudo canadense indica que cigarro pode alterar o organismo humano de forma permanente

BBC Brasil, BBC

30 de agosto de 2007 | 10h44

Uma pesquisa de cientistas canadenses indica que o cigarro pode alterar permanentemente a atividade de alguns genes fundamentais do corpo humano. Isso explicaria, segundo eles, por que ex-fumantes ainda têm alto risco de câncer de pulmão, mesmo muitos anos depois de já terem abandonado o cigarro. A pesquisa, que foi publicada na revista científica BMC Genomics, analisou 24 pessoas e concluiu que alguns dos constituintes químicos do cigarro podem alterar a atividade genética. Ao parar de fumar, o risco de ter câncer de pulmão cai significativamente, mas ex-fumantes continuam tendo um risco levemente superior, se comparado a alguém que nunca fumou. Especialistas britânicos destacam que, mesmo com a descoberta, parar de fumar ainda traz grandes benefícios para a saúde. Os pesquisadores do instituto British Columbia Cancer Research, de Vancouver, acreditam que alguns dos danos do cigarro podem ser permanente. Eles estudaram amostras de células do pulmão de oito fumantes, de 12 ex-fumantes e de quatro pessoas que nunca fumaram. Algumas alterações genéticas pareciam ser relativamente pequenas, voltando ao normal depois que as pessoas deixavam de fumar por um ano ou mais. No entanto, algumas alterações eram mais duradouras, com possibilidade de desenvolvimento de câncer. Três genes ligados à habilidade de reparar o DNA tiveram redução nos seus níveis de atividade. "Aqueles genes e funções que não voltam aos níveis normais depois que se para de fumar podem revelar fatos novos sobre por que ex-fumantes ainda mantêm risco de desenvolver câncer de pulmão", disse Raj Chari, que liderou a pesquisa. A porta-voz da organização anti-tabagista Action on Smoking and Health (ASH) afirma que os fumantes não devem desistir de largar o cigarro pensando que o dano genético causado pelo cigarro é irreparável. "Nós sabemos que parar de fumar bastante rediz suas chances de desenvolver câncer de pulmão, e, não apenas isso, mas suas chances de doenças cardíacas e uma quantidade de outras doenças sérias também reduzem dramaticamente", diz a porta-voz. "Apesar de ex-fumantes ainda terem um risco levemente maior de câncer de pulmão comparado com alguém que nunca fumou, ainda está muito longe do risco de câncer de pulmão de alguém que continua fumando."   BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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