Ex-guarda nazista vai cumprir prisão perpétua na Itália

Aos 83 anos, Michael Seifert foi extraditado do Canadá, onde mora desde 1951.

Da BBC Brasil, BBC

16 de fevereiro de 2008 | 20h20

Um ex-integrante da SS nazista, que trabalhou como guarda em um campo de concentração, foi extraditado do Canadá para a Itália, onde cumprirá a prisão perpétua. Michael Seifert, um ucraniano de 83 anos, foi condenado por um tribunal militar na Itália em 2001 por 11 assassinatos em um campo de concentração na cidade de Bolzano, no norte do país.Seifert admite ter trabalhado no local, mas nega os crimes.Ele chegou na manhã deste sábado a Toronto e foi levado para uma prisão perto de Nápoles, onde passará por testes médicos. O ucraniano tem um marca-passo, mas estaria em boas condições de saúde, segundo o promotor do caso, Bartolomeu Constantini. Ainda assim, ele deve cumprir prisão domiciliar devido à idade avançada.Atos de crueldadeO tribunal militar que condenou o ex-integrante da SS ouviu testemunhas que teriam relatado os atos de crueldade praticados por ele.Segundo os relatos, Seifert teria deixado pessoas morrerem de fome, praticado estupros, matado uma mulher grávida e arrancado os olhos de um dos prisioneiros.Na fase final da Segunda Guerra Mundial, o campo de concentração de Bolzano reunia judeus, membros da resistência e desertores do exército alemão. Seifert nasceu na Ucrânia e teria se unido aos nazistas depois da invasão alemã. Após o término da guerra, em 1945, ele tentou esconder seu passado, mudando-se para o Canadá seis anos depois. Em 2002, ele foi preso a pedido de um tribunal italiano e, desde então, vem lutando contra a extradição. No mês passado, no entanto, a Suprema Corte do Canadá decidiu enviá-lo à Itália.Seus advogados dizem que ele foi condenado injustamente e acusam a Justiça canadense de parcialidade no caso.A extradição do ucraniano foi bem recebida por grupos que defendem a condenação de criminosos de guerra."Esperamos que isto sirva de exemplo para outros criminosos de guerra, não só os nazistas, mas os envolvidos com crimes em Ruanda, Bósnia, Darfur e outros genocídios", disse Avi Benévolo, do Centro de Estudos do Holocausto, no Canadá.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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