Ex-inimigos tentam ampliar cooperação

Consenso entre Washington e Moscou seria 1.º passo para nova parceria

Peter Baker, O Estadao de S.Paulo

19 Dezembro 2009 | 00h00

Oito meses, três reuniões presidenciais e incontáveis sessões de negociação depois, EUA e Rússia parecem perto de um novo tratado sobre o controle de armamentos, que deve reduzir seus arsenais nucleares estratégicos em 25%.

Mas, mesmo se os dois lados firmarem um acordo nos próximos dias, há muito trabalho pela frente. Depois que os presidentes Barack Obama e Dmitri Medvedev assinarem esse novo pacto, seus representantes devem voltar à mesa de negociações para discutir um plano ainda mais ambicioso, para limitar categorias de armas nucleares jamais submetidas a barreiras internacionais.

As conversações previstas para 2010 atendem à ambiciosa agenda de Obama no campo do desarmamento. Além de uma nova redução no número de ogivas estratégicas em posição de lançamento, os negociadores tentarão reduzir os estoques de ogivas de reserva - milhares de bombas nucleares táticas vulneráveis a roubos, algumas delas na Europa.

Obama quer eliminar todo o arsenal nuclear global e transformar seu Exército, preparando-o para uma nova era. A proposta é reformular, a partir de uma revisão, no mês que vem, toda doutrina estratégica dos EUA e reavaliar quantas armas o país de fato precisa, já que não tem mais uma superpotência rival.

A primeira etapa é a conclusão do tratado que agora está sobre a mesa. Obama se reuniu com Medvedev em Copenhague para eliminar os obstáculos para o acordo que substituirá o Tratado de Redução de Armas Estratégicas de 1991 (que expirou no dia 5). Segundo autoridades americanas, o novo acordo exigirá que cada lado reduza o número de suas ogivas nucleares estratégicas para até 1.675 e o de seus bombardeiros e mísseis terra-ar para menos de 800.

Obama quer aproveitar o clima de confiança para iniciar conversações para um acordo mais amplo, prevendo uma redução maior das ogivas estratégicas em posição de lançamento. Além disso, os negociadores discutiriam a questão dos estoques de armas táticas e estratégicas.

A ideia de retirar todas as armas nucleares táticas de circulação tem provocado debates na Europa. Em outubro, o novo chanceler da Alemanha, Guido Westerwelle, sugeriu que chegou a hora de os EUA removerem suas armas táticas remanescentes na região. Mas outros aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) consideram essas armas um sinal do compromisso dos EUA com a segurança europeia.

Debates similares têm ocorrido no establishment militar russo e americano. "Os dois presidentes terão de vencer a resistência das burocracias nucleares conservadoras nos seus países", disse Joseph Cirincione, do Ploughshares Fund, que defende o desarmamento. "São forças ainda poderosas."

"Hoje, tais armas são militarmente desnecessárias e mais atrapalham do que ajudam, pois Rússia e EUA precisam mantê-las em segurança e elas são difíceis de ser rastreadas pois são pequenas", disse Daryl G. Kimball, diretor da Associação de Controle de Armamentos.

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