Ex-líder de Moçambique ganha 'Nobel da África'

Joaquim Chissano é 1º ganhador de prêmio para 'excelência' em liderança.

BBC Brasil, BBC

22 de outubro de 2007 | 15h30

O ex-presidente de Moçambique, Joaquim Chissano, é o ganhador do primeiro prêmio Mo Ibrahim, que visa recompensar líderes africanos aposentados pela excelência de seu governo.Chissano, apontado como o homem que levou a paz para Moçambique, era considerado um forte concorrente à homenagem.Anunciado por Kofi Annan, ex-secretário geral da ONU, o prêmio consiste de US$ 5 milhões parcelados durante os próximos dez anos. Após esse período, Chissano receberá US$ 200 mil por ano até o fim de sua vida.Annan presidiu o comitê que selecionou o primeiro ganhador entre 13 candidatos.O projeto, considerado uma espécie de "Nobel da África", foi concebido e financiado pelo empresário sudanês Mo Ibrahim.Ibrahim fez sua fortuna no setor de telefonia celular e é hoje um dos homens mais ricos da Grã-Bretanha. Ele disse esperar que o prêmio ajude a melhorar o desempenho dos governos africanos.Chissano governou Moçambique entre 1986 e 2005, quando deixou a presidência voluntariamente. Respeitado internacionalmente, ele é visto como o homem que transformou Moçambique, consumida por uma violenta guerra civil, em um país politicamente estável e com economia forte. Críticos, no entanto, acusam seu filho de corrupção e de assassinar oponentes.Chissano bateu 13 concorrentes para levar o prêmio, incluindo ex-líderes da Tanzânia, de Burundi, da Namíbia e de Togo.O prêmio é concedido a um líder da África sub-saariana que tenha governado bem, de forma democrática e honesta, e que tenha deixado o cargo no prazo previsto.Em entrevista ao jornal britânico The Times, Ibrahim disse que o prêmio não é um suborno, mas uma medida pragmática.Ele argumentou que os líderes de países desenvolvidos têm um circuito de palestras, escrevem memórias, integram conselhos de bancos internacionais e, dessa forma, têm seu futuro financeiro assegurado."Agora, o que acontece a um bom líder africano após deixar o cargo?", perguntou o empresário. "Nada. É uma vida dura. De repente, você tira a mansão e o carro presidencial, e a aposentadoria é muito pequena"."Você não acha que, desta forma, estamos criando uma situação onde colocamos as pessoas sobre pressão para ficar no cargo?"BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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