Ex-líder nigeriano será enviado da ONU para Congo

Olusegun Obasanjo tem experiência como mediador e é respeitado na África.

Da BBC Brasil, BBC

04 Novembro 2008 | 12h00

O ex-presidente nigeriano Olusegun Obasanjo foi apontado nesta segunda-feira como enviado especial da ONU (Organização das Nações Unidas) para a República Democrática do Congo.Obasanjo foi escolhido pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon para tentar mediar a resolução da crise no leste do país, que já dura anos e envolve diversos grupos rebeldes. A crise agravou-se nos últimos dias, com uma escalada de violência.O ex-líder nigeriano é um diplomata experiente que passou muitos de seus 71 anos lidando com crises tanto dentro quanto fora da Nigéria.Com um passado militar, Obasanjo é um negociador conhecido também por saber ser diplomático.Durante suas passagens pelo governo (1976-1993 e 1999-2007), ele foi criticado por passar muito tempo fora do país, mas muitos dizem que suas viagens ao exterior teriam lhe rendido bons contatos e experiência internacional.SucessoEntre suas ações de maior sucesso estão o papel-chave que teve na obtenção de um acordo de paz na Libéria, onde anos de guerra devastaram o país.Obasanjo também fez parte das negociações com o regime do apartheid, na África do Sul, para tentar libertar Nelson Mandela.O status do nigeriano como um ancião africano também deve ter um impacto importante entre os presidentes mais jovens de Ruanda e do Congo, em um continente onde a idade é um sinal importante de respeito.Mas o conflito no leste da República Democrática do Congo é bastante complicado, já que envolve ódio étnico, apropriação de recursos naturais e poderosos interesses estrangeiros.O novo primeiro-ministro do país, Adolphe Muzito, deverá visitar a cidade de Goma, em meio a preocupações com milhares de pessoas que fugiram do local por causa dos confrontos.O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon também disse que vai viajar para a região.Goma está cercada por forças rebeldes, que expulsaram tropas do governo. Cerca de 250 mil pessoas fugiram para o campo, mas muitas já voltaram para a região e enfrentam falta de abrigo e comida.A França pediu o envio de mais soldados para reforçar a tropa de paz da ONU, que atualmente conta com 17 mil pessoas.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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